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Nasa quer usar robôs esféricos para explorar cavernas escondidas em lua de Saturno

Projeto Spark pretende levar pequenos veículos autônomos às regiões subterrâneas do maior satélite natural do planeta dos aneis, onde rovers tradicionais teriam dificuldade para chegar

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Imagem criada com auxílio de IA

A Nasa está estudando uma forma diferente de explorar Titã, a maior lua de Saturno. A agência espacial financia o desenvolvimento do projeto Spark, que prevê o uso de pequenos robôs esféricos capazes de voar por cavernas, túneis, fendas e poços que seriam praticamente inacessíveis para veículos terrestres convencionais, os chamados 'rovers'.

Titã chama a atenção dos cientistas por apresentar uma paisagem muito diferente da encontrada na Terra. A lua possui rios, lagos, mares, dunas e uma atmosfera espessa. Debaixo dessa superfície, pesquisadores suspeitam da existência de uma rede de cavidades e estruturas subterrâneas que ainda não foram exploradas diretamente.

É justamente nesse ambiente que o Spark pretende atuar. Conforme divulgado pelo Infobae, o conceito prevê um enxame de pequenos veículos aéreos robóticos, chamados de aerobots, que poderiam ser transportados até Titã por uma nave e depois liberados para investigar diferentes pontos.

Robôs sem rodas e sem hélices

Ao contrário dos rovers usados em missões espaciais, os equipamentos propostos pelo Spark não teriam rodas ou sistemas tradicionais de suspensão. Eles seriam pequenos, leves e esféricos, permitindo que se movimentassem por regiões estreitas e de difícil acesso.

Outra diferença importante está no sistema de propulsão. Em vez de hélices ou rotores, os robôs usariam propulsão eletro-hidrodinâmica, também conhecida como propulsão iônica atmosférica.

O sistema utiliza eletricidade para movimentar o gás ao redor do veículo e gerar impulso. Na Terra, essa tecnologia ainda apresenta uma grande limitação porque exige muita energia para produzir uma força relativamente pequena.

Titã, porém, oferece condições que podem tornar o conceito mais interessante. A lua possui uma atmosfera muito mais densa que a terrestre e uma gravidade consideravelmente menor. Segundo o projeto, essa combinação poderia fazer com que a propulsão iônica tivesse uma eficiência mais de 100 vezes maior do que apresenta em nosso planeta.

Por que explorar as cavernas de Titã?

A existência de ambientes subterrâneos em Titã desperta interesse por causa de sua química. A lua possui um ciclo em que metano e etano desempenham um papel semelhante ao da água no ciclo terrestre, formando nuvens, precipitando e acumulando-se em lagos e mares.

Na Terra, a ação da água sobre determinadas rochas pode criar cavernas, galerias, dolinas e outras formações conhecidas como ambientes cársticos. Em Titã, processos envolvendo metano e etano poderiam produzir estruturas semelhantes em materiais congelados e compostos orgânicos.

Essas regiões subterrâneas também podem proteger materiais da radiação e de variações extremas de temperatura. Por isso, o estudo das cavernas pode ajudar os pesquisadores a compreender melhor a história geológica e química da lua.

Os robôs poderiam registrar imagens, analisar o ambiente e investigar materiais presentes nas paredes, no gelo e nos depósitos encontrados dentro das cavidades.

Um desafio tecnológico

O projeto ainda está em uma fase inicial. Durante nove meses, os pesquisadores deverão avaliar a viabilidade da tecnologia, realizar simulações e estudar sistemas de energia, navegação, comunicação, controle térmico e materiais capazes de suportar as condições de Titã.

As temperaturas extremamente baixas representam um dos principais desafios. Componentes mecânicos, lubrificantes e equipamentos eletrônicos precisam funcionar em um ambiente muito diferente daquele encontrado na Terra.

A autonomia também será essencial. Como Titã está muito distante da Terra, os robôs não poderiam depender de comandos enviados em tempo real. Eles precisariam identificar obstáculos, escolher trajetórias e controlar o próprio deslocamento.

A utilização de vários robôs poderia aumentar as chances de sucesso. Enquanto um equipamento investigaria uma determinada passagem, outros poderiam seguir por diferentes galerias ou permanecer próximos da entrada para ajudar na comunicação com a nave responsável pela missão.

Spark pode complementar a missão Dragonfly

A proposta também poderia ter relação com a missão Dragonfly, da Nasa, que prevê o envio de um veículo aéreo para estudar a superfície de Titã.

O Dragonfly terá capacidade de voar entre diferentes pontos da superfície da lua, enquanto o Spark foi pensado especificamente para alcançar regiões subterrâneas. Dessa maneira, os dois conceitos poderiam cumprir funções diferentes em uma futura estratégia de exploração.

Ainda não existe, porém, confirmação de que os robôs Spark serão incorporados à missão Dragonfly. O projeto precisa primeiro superar a etapa inicial de estudos e demonstrar que a tecnologia pode funcionar nas condições encontradas em Titã.

Caso avance para uma segunda fase, o programa poderá envolver a construção e os testes de protótipos.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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