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Nada de ovos ou torradas: os cowboys comiam este café da manhã à moda antiga nas trilhas

Refeição era preparada antes do amanhecer e precisava garantir energia para longas jornadas de trabalho no campo

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Café da manhã no acampamento do velho oeste • Imagem gerada por IA

Quando não estavam trabalhando no rancho, os vaqueiros passavam longos períodos viajando durante as comitivas de gado. Nessas jornadas, um café da manhã reforçado era essencial para enfrentar as horas de trabalho que começavam ainda antes do amanhecer.

Segundo o vaqueiro Kent Rollins, uma refeição tradicional durante as viagens era composta por café, feijão e biscoitos, acompanhados, em algumas ocasiões, de bacon ou toucinho salgado. O café da manhã costumava ser servido por volta das quatro ou cinco da manhã, o que obrigava o cozinheiro do rancho a acordar ainda mais cedo para preparar tudo.

Em ocasiões especiais, porém, o cardápio podia ganhar um item diferente: as panquecas de fermento natural.

Panquecas eram uma opção energética para a jornada

As panquecas ofereciam uma refeição mais densa em energia para quem enfrentaria um longo dia de trabalho físico. A textura também era diferente dos tradicionais bolinhos de milho: as panquecas de fermento natural ficavam mais fofas, semelhantes às feitas com leitelho, mas apresentavam um sabor agridoce mais complexo, resultado do processo de fermentação.

O fermento natural precisava permanecer em uma temperatura morna para fermentar e formar bolhas. Por isso, a preparação se adaptava bem à rotina dos acampamentos e às condições encontradas durante as viagens.

Outro fator importante era a conservação dos alimentos. Ingredientes perecíveis, como leite, ovos e manteiga, estragavam rapidamente e não eram fáceis de transportar durante longas jornadas. Esses produtos podiam ser obtidos em ocasiões especiais quando os vaqueiros passavam por cidades.

Produtos assados eram tão pouco comuns nas trilhas que os vaqueiros chegavam a viajar quilômetros em busca dos chamados sinais de ursos, considerados um precursor do donut moderno e de uma tradicional sobremesa associada à cultura dos cowboys.

Atualmente, os pecuaristas contam com caixas térmicas e gelo para transportar laticínios, carnes e vegetais. Mantidos refrigerados, esses alimentos podem permanecer próprios para consumo por vários dias.

Como era feito o fermento natural

Para preparar o fermento natural utilizado nos acampamentos, os vaqueiros misturavam farinha e água em recipientes de vidro, aço ou cerâmica e deixavam a mistura descansar.

Durante as viagens, alguns acrescentavam batatas descascadas e picadas ao fermento. Com o passar dos dias, parte da mistura era retirada para liberar espaço, enquanto novas porções de água e farinha eram adicionadas para alimentá-la.

O processo era repetido até que a mistura começasse a formar bolhas e dobrasse de tamanho regularmente entre as alimentações.

Para quem deseja reproduzir a preparação atualmente, é importante considerar que o fermento natural pode levar de uma a duas semanas para ficar pronto para uso em receitas. O tempo de fermentação varia de acordo com fatores como o tipo de farinha e as condições climáticas.

Como fazer as panquecas de cowboy

Depois que o fermento natural está pronto, ele pode ser transformado em panquecas. A mistura é combinada com ovos, óleo, açúcar, bicarbonato de sódio, sal, baunilha e farinha até formar uma massa homogênea.

Em seguida, a massa é frita em uma frigideira de ferro fundido untada com manteiga.

Para completar a refeição inspirada nos antigos ranchos, as panquecas podem ser servidas com uma xícara de café forte e defumado, além de manteiga e xarope de bordo puro e escuro.

Assim, uma receita que nasceu da necessidade de aproveitar ingredientes disponíveis durante as longas jornadas acabou se tornando parte da tradição gastronômica associada aos cowboys do sudoeste dos Estados Unidos.

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