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Médica: ‘Aos 60 anos, não se deve comer com tanta frequência, o fígado precisa de repouso’

Toña Lizarraga, médica especializada em nutrição e esportes, afirma que a chave para o bem-estar está em entender como gerenciamos nossa energia

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Médica: “Aos 60 anos, não se deve comer com tanta frequência, o fígado precisa de algumas horas de repouso" • Unsplash

O interesse pela longevidade deixou de ser exclusivamente sobre dieta ou exercício físico e passou a incorporar uma perspectiva mais ampla sobre como a energia é gerenciada ao longo dos anos. 

Cada vez mais especialistas concordam que envelhecer bem depende não apenas da alimentação ou da quantidade de exercícios que você pratica, mas também de como você descansa, lida com o estresse e o significado que atribui à sua rotina. Nesse contexto, uma abordagem holística está ganhando força, propondo ajustes nos hábitos à medida que envelhecemos.

A ideia de que as mesmas regras se aplicam aos 25 e à terceira idade está perdendo terreno diante de evidências crescentes: o corpo muda e, com ele, a forma como se utiliza a energia. Prestar atenção a esses sinais torna-se essencial para manter o bem-estar.

Toña Lizarraga, médica especializada em nutrição e esportes, afirma que a chave para o bem-estar está em entender como gerenciamos nossa energia. “Todos nós temos um orçamento energético vitalício, como uma vela”, explica ela ao jornal La Vanguardia . “Há fases da vida em que consumimos nossa energia mais rapidamente e outras em que podemos tentar retardar seu esgotamento”, diz. 

Com mais de três décadas de experiência ensinando e aconselhando atletas de alto rendimento, Lizarraga defende que a nutrição não se resume apenas à calorias . "Além do que comemos, fatores como descanso, estresse e temperatura corporal também aceleram o metabolismo", afirma. Ela destaca ainda que algumas pessoas que se alimentam bem podem ainda assim sentir falta de energia.

Um dos pilares defendidos pela especialista é a “percepção intrínseca de energia”. Segundo ela, apenas obedecer a regras externas é insuficiente: “É necessário pausar em diversos momentos do dia para nos escutar e avaliar como está nosso vigor”. Diante disso, ela aponta um desafio frequente: “Se você deixou de fazer algo ontem e não houve consequências, sua mente questionará a necessidade de fazer hoje. É o cérebro operando em modo de sobrevivência, mas ele é passível de treinamento”.

Ao abordar o envelhecimento, Lizarraga destaca que a harmonia entre alimentação e atividade física é vital. "A comida é o nosso combustível, porém nosso corpo foi projetado para o movimento", ressalta. Contudo, ela pondera que dedicar apenas algumas horas ao treino não basta: "O fator determinante é o que ocorre nas outras 23 horas do dia".

Sobre a prática esportiva, a profissional apresenta o conceito de hormese — pequenos estímulos de desafio ao organismo. Mas faz uma ressalva sobre os limites: “O excesso de exercício faz mal, assim como o sedentarismo ou o exagero na alimentação; o segredo é o equilíbrio”. Ela completa com um fator crucial: o descanso. “A diferença da idade se manifesta, de fato, na nossa velocidade de recuperação”.

No campo da nutrição, a visão da especialista questiona alguns dogmas vigentes. "Depois dos 60 anos, você não deve comer com tanta frequência", defende. A justificativa é biológica: "O fígado, que é um dos seus maiores aliados, pede algumas horas de descanso". O objetivo dessa estratégia é otimizar a flexibilidade metabólica, que consiste na habilidade do organismo de alternar entre fontes energéticas. "Esse repouso metabólico permite que o corpo aprenda a utilizar a gordura corporal armazenada", esclarece.

A qualidade do que se ingere também é um ponto de destaque. "Comer frutas no jantar nem sempre é a melhor opção", avisa, pontuando que o processamento de carboidratos se transforma com o passar dos anos. Por isso, a orientação é priorizar esses alimentos em períodos próximos aos exercícios físicos.

O descanso é apontado como mais um sustentáculo essencial. "Dormir é uma forma de economizar energia", diz. A profissional associa, inclusive, o desgaste energético ao estado emocional: "A raiva mantém os níveis de cortisol elevados por horas, fazendo com que a energia seja consumida mais rapidamente".

Em vez de sugerir proibições severas, ela valoriza a análise do contexto. "Uma refeição especial pode ser desgastante, como uma maratona, mas se proporciona prazer, isso é um ponto positivo", detalha. O risco, segundo ela, aparece quando essas exceções viram hábito. Por fim, a especialista contesta a filosofia das dietas punitivas. "Não se trata de restringir, mas de entender o que é benéfico", afirma, concluindo com o conceito central de seu trabalho: "Quando você entende como sua energia funciona, isso muda a maneira como você vive sua vida".

Em síntese, o método propõe uma reavaliação do cuidado com o corpo na maturidade, elegendo o equilíbrio, a recuperação e o autoconhecimento como eixos fundamentais para a longevidade saudável.

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