Tem 60 anos mas nunca fez exercício físico? Saiba como sair do sedentarismo
Médica geriatra explicou que corpo humano foi feito para o movimento, independente da idade

Não existe o momento ou idade certa para começar a prática de atividades físicas e sair do sedentarismo. Bem orientada, a atividade física é uma das intervenções mais eficazes para promover saúde e funcionalidade no envelhecimento. À Itatiaia, a médica geriatra Simone de Paula explicou que, mesmo após os 60 anos é possível adquirir novas habilidades motoras e melhorar capacidades físicas.
“O organismo mantém capacidade de adaptação, inclusive com ganhos de força, equilíbrio, coordenação e resistência. Entre os principais mitos estão a ideia de que “é tarde demais para começar”, de que “exercício faz mal para quem tem doença” ou de que “idoso precisa apenas descansar”. Esses conceitos são incorretos e potencialmente prejudiciais”, afirmou Simone de Paula.
Ainda conforme a médica, a atividade física não pode ser vista como um "extra" ou um hobby para quem tem tempo, mas como uma espécie de medicamento. “Assim como um paciente com hipertensão não questiona a necessidade de tomar seu comprimido diário para evitar um AVC, o exercício deve ser encarado com o mesmo rigor e disciplina”, continuou.
Mesmo com todas essas informações, é comum que ainda ocorra um certo desânimo na hora de realmente começar uma prática esportiva. Essa dificuldade de sair da rotina em que está acostumado a tantos anos pode ser o primeiro obstáculo para começar uma atividade física. Para a médica geriatria, uma forma de superar esse desânimo é estabelecer metas realistas e progressivas, iniciar com atividades prazerosas e de curta duração, e valorizar pequenas conquistas.
“O apoio de familiares, amigos ou a prática em grupo pode aumentar a motivação. Criar uma rotina fixa, com horários definidos, também favorece a adesão. Além disso, compreender que os benefícios são cumulativos e que a regularidade é mais importante do que a intensidade ajuda a manter a disciplina ao longo do tempo”, contou.
A médica também lembrou que o exercício em grupo combate a solidão, considerado um fator de risco cardiovascular e cognitivo tão importante quanto a hipertensão.
Ainda conforme Simone de Paula, o primeiro passo para o início da prática é realizar uma avaliação médica individualizada, especialmente se houver doenças crônicas como hipertensão, diabetes, osteoporose ou doenças cardíacas.
“A partir dessa avaliação, define-se o tipo, a intensidade e a progressão dos exercícios de forma segura. É fundamental iniciar de maneira gradual, respeitando os limites do corpo, priorizando atividades de baixo impacto e com orientação profissional, preferencialmente de um educador físico”, explicou.
Ainda segundo a médica, não existe uma única atividade ideal para todas as pessoas. “O melhor exercício é aquele que é seguro, adequado às condições clínicas e que proporcione prazer, pois isso aumenta a chance de continuidade”, detalhou.
De modo geral, a médica explicou que é recomendado combinar exercícios aeróbicos, como caminhada ou bicicleta, com exercícios de fortalecimento muscular, alongamento e treino de equilíbrio.
“Atividades como hidroginástica, pilates e musculação supervisionada são particularmente benéficas para idosos, pois contribuem para a melhora da força, da mobilidade e da estabilidade postural, reduzindo o risco de quedas”, explicou.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo



