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SUS pode incorporar remédio injetável de longa duração contra o HIV até o fim do ano

Inovação na profilaxia pré-exposição (PrEP) promete ampliar a adesão ao tratamento preventivo, substituindo a rotina diária de comprimidos por aplicações bimestrais

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À esquerda, o ministro da Saúde Alexandre Padilha • Fernando Frazão/Ag~encia Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) pode disponibilizar, até o fim deste ano, uma nova e decisiva ferramenta na prevenção ao HIV: a PrEP injetável. Trata-se do cabotegravir de ação prolongada, medicamento administrado por meio de injeções intramusculares a cada dois meses, que surge como uma alternativa de alta eficácia aos comprimidos diários de profilaxia pré-exposição.

A incorporação da tecnologia está em fase avançada de análise pelo Ministério da Saúde e pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Caso receba parecer favorável e seja homologado, o Brasil se consolidará como um dos pioneiros na América Latina a oferecer a PrEP injetável de forma gratuita e universal na rede pública.

Mais praticidade e maior adesão

Atualmente, a PrEP oferecida pelo SUS é baseada no uso oral contínuo de dois antirretrovirais (tenofovir + emtricitabina). Embora extremamente eficaz quando tomada corretamente, a versão em comprimidos enfrenta desafios como o esquecimento de doses, efeitos colaterais estomacais e o estigma associado ao armazenamento diário do remédio.

A versão injetável supera essas barreiras. Após duas doses iniciais aplicadas com intervalo de 30 dias, o paciente passa a receber a medicação apenas seis vezes ao ano. Estudos internacionais demonstram que o cabotegravir reduz em mais de 80% o risco de infecção pelo HIV em comparação com o tratamento diário por via oral, principalmente pela garantia da adesão correta.

Populações prioritárias e próximos passos

A expectativa do Governo Federal é direcionar as primeiras remessas do medicamento às populações de maior vulnerabilidade e com histórico de menor adesão à PrEP oral, como jovens, pessoas trans e trabalhadores do sexo.

A decisão final dependerá da negociação de preços com o fabricante e das estratégias de logística para distribuição nos centros de testagem e unidades básicas de saúde em todo o país. Se aprovado dentro do cronograma previsto, o cabotegravir injetável começará a ser aplicado nos primeiros grupos prioritários no início do próximo ano.

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