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Cura do HIV está mais perto? Dois novos casos de remissão renovam esperança da ciência

Pacientes permanecem sem sinais do vírus mesmo após interromper tratamento, mas especialistas alertam que casos ainda não comprovam uma cura definitiva

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Imagem ilustrativa. • Banco de imagens Canva

Dois novos casos de remissão prolongada do vírus HIV, causador da Aids, foram anunciados nesta segunda-feira (27) durante a 26ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro. A novidade elevou para 13 o número de pessoas que permanecem sem carga viral detectável após interromper o uso de medicamentos antirretrovirais, renovando as expectativas da comunidade científica sobre a possibilidade de uma futura cura para a infecção. No entanto, especialistas reforçam que ainda é cedo para afirmar que o vírus foi eliminado definitivamente do organismo dos pacientes.

Os dois pacientes passaram por transplantes de células-tronco para tratar doenças hematológicas, como leucemias e linfomas, e não como terapia contra o HIV. Um deles, conhecido como "paciente de Kansas City", está há 14 meses sem tratamento antirretroviral e continua sem sinais do vírus. O outro, que também vivia com hepatite B, permanece há 12 meses sem medicação e igualmente mantém carga viral indetectável.

A maioria dos casos de remissão ocorreu após transplantes de doadores com a rara mutação genética CCR5-delta32, que dificulta a entrada das variantes mais comuns do HIV nas células do sistema imunológico. Ainda assim, pesquisadores destacam que alguns pacientes alcançaram o mesmo resultado sem essa alteração genética, sugerindo que outros mecanismos do sistema imune também possam estar envolvidos.

Apesar do avanço, especialistas pedem cautela. O infectologista Ricardo Diaz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explicou que o termo mais adequado continua sendo "remissão sustentada do HIV", já que não existe um exame capaz de comprovar que o vírus foi completamente eliminado de todos os reservatórios do organismo. Além disso, os pacientes ainda precisam ser acompanhados por anos para verificar se a infecção permanecerá controlada sem medicamentos.

Os pesquisadores também enfatizam que o transplante de células-tronco não representa uma opção para a maioria das pessoas que vivem com HIV. Por ser um procedimento complexo e de alto risco, com possibilidade de rejeição, infecções graves e outras complicações, ele só é indicado para pacientes que já necessitam do transplante por causa de doenças do sangue. O foco das pesquisas agora é desenvolver terapias mais seguras, como edição genética e imunoterapias, capazes de reproduzir esse efeito sem recorrer ao transplante.

Enquanto isso, a terapia antirretroviral continua sendo o tratamento padrão para controlar a infecção, preservar a qualidade de vida dos pacientes e impedir a transmissão do vírus. Para os especialistas, os dois novos casos representam um importante avanço científico e reforçam a esperança de que estratégias curativas possam se tornar realidade no futuro, mas ainda não mudam a recomendação clínica para milhões de pessoas que vivem com HIV.

Epidemia da Aids

Desde o início da epidemia, a Aids já causou mais de 44 milhões de mortes em todo o mundo, enquanto cerca de 91,4 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV, segundo dados mais recentes do Unaids. Atualmente, aproximadamente 40,8 milhões de pessoas vivem com o vírus e, somente em 2024, 630 mil morreram em decorrência de doenças relacionadas à Aids.

No Brasil, desde o registro dos primeiros casos na década de 1980, mais de 390 mil pessoas morreram em consequência da doença, de acordo com o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2025 do Ministério da Saúde. Apesar dos avanços no tratamento e na prevenção, especialistas alertam que a infecção ainda representa um importante desafio de saúde pública.

Com informações de Agência de Notícias da Aids

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

 

 

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