'60 demais': casal ensina idosos a usar tecnologia para envelhecer com autonomia
Página inclui dicas para evitar golpes, debates sobre tecnologia e conteúdo didático sobre o celular

Maria Helena Lira Cabral e Tarcísio Cabral administram o perfil '60demais' nas redes sociais. Eles dão dicas para proteger idosos contra golpes, promovem a inclusão digital desse grupo e ainda explicam termos da moda, como “farmar aura”, “dix” e mais.
Tarcísio explica o nome dado por eles à página, que acumula mais de 600 mil seguidores: “Essa expressão veio da nossa adolescência. Refere-se a uma pessoa ‘melhor do que ótima’. Se uma pessoa é melhor do que ótima, ela é ‘demais’. Então, um 60 tecnológico, que usa o celular como assistente pessoal, é um ‘60 demais’”, disse em entrevista ao programa Acir Antão, da Itatiaia, nesta segunda-feira (27).
Maria Helena completa contando como nasceu a iniciativa. “Surgiu na pandemia. As pessoas ficaram presas em casa, e muita gente passava aperto sem saber fazer uma videochamada pelo WhatsApp. Decidimos que, quando tivéssemos um Instagram, seria para ajudar essas pessoas. Começamos há pouco mais de dois anos, estudando e nos qualificando para poder ensinar online”.
Ela afirma que o celular possui muitas funcionalidades muitas vezes não exploradas por falta de conhecimento. “Nós aprendemos para ensinar com calma e paciência, porque a maioria dos cursos dados por jovens é em uma velocidade que o idoso não acompanha”, diz.
Além disso, Tarcísio aponta que crianças e adolescentes aprendem de forma diferente dos idosos. “A criança aprende em grupos (escola, balé). Já a pessoa madura, ao se aposentar ou perder parentes, acaba se isolando, o que corta a possibilidade de assimilar tecnologia. O celular chegou à mão do idoso, mas o conhecimento, não”, reflete.
A página ainda inclui conteúdos de integração, que servem para traduzir o dialeto online para idosos. “Criamos uma ponte entre as gerações, explicando o vocabulário jovem para que avós e pais se comuniquem melhor com os netos e filhos, gerando afeição e conexão”, explica Tarcísio.
“O preconceito também vem da atitude do próprio idoso, que entra em conflito com o jovem, por exemplo, criticando o uso do celular em jantares. Em vez do confronto, é possível entrar no mundo digital deles para se aproximar, mandando uma foto ou fazendo uma videochamada”, completa.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



