Câncer ginecológico: médica alerta para sinais que podem passar despercebidos
Campanha Setembro em Flor alerta para prevenção de cânceres que atingem o sistema reprodutor feminino

A campanha Setembro em Flor é voltada à prevenção de cânceres ginecológicos. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, cerca de 30 mil mulheres no Brasil desenvolvem alguma dessas neoplasias a cada ano.
A oncologista Graziella Piló, da rede Mater Dei, explica que há cinco tipos de câncer que atingem os órgãos reprodutivos femininos. São eles: câncer de colo uterino, câncer do corpo uterino (que também é o de endométrio), ovário, vulva e vagina.
Entre eles, o mais comum é o câncer de colo do útero. A médica lembra que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina contra o HPV, vírus que causa a doença.
“Para meninas e meninos de nove a 14 anos, essa vacina está disponível na rede pública. Se conseguíssemos atingir um nível de vacinação adequado, esse tumor, nos próximos anos, não estaria mais aqui”, afirma a médica durante participação no programa Acir Antão, da Itatiaia, nesta quinta-feira (3).
“É preciso lembrar que temos vacina e que, além dela, também precisamos passar por consultas regulares para fazer o diagnóstico da doença em estágios iniciais, se for o caso. Nesses estágios, as chances de cura são aumentadas”, completa Graziella Piló.
A médica reforça a importância da prevenção e tranquiliza as mulheres sobre o exame ginecológico. “Além do Papanicolau, que toda mulher já conhece, agora também temos a pesquisa de HPV por DNA. Se todo mundo fizesse o rastreio convencional, talvez nem precisássemos avançar para outros testes, mas a população não vai. E não vai por motivos como o medo do exame ginecológico, que é simples e rápido, ou por vergonha do médico. Nós estudamos anos a fio para isso, então não precisa ter vergonha do profissional. Essas questões não podem ser tabus que impeçam a mulher de se cuidar”, destaca.
Sintomas de câncer ginecológico
A médica diz que os sintomas dependem da localização do câncer. “Os tumores de colo uterino e de endométrio podem apresentar sintomas iniciais geralmente relacionados com sangramento, dor pélvica persistente, pressão na parte baixa da barriga e corrimento”, afirma a médica.
O câncer de ovário pode ser silencioso, o que atrasa o início do tratamento. “A grande maioria dos diagnósticos de ovário é feita em fases mais avançadas, em geral por aumento do volume abdominal e por dor recorrente. Então, é preciso estar sempre atento ao corpo e fazer as consultas regularmente para que as alterações sejam avaliadas o mais cedo possível”.
O corrimento é um forte indicador da saúde íntima feminina e pode ser um sinal de câncer ginecológico. “Na oncologia, principalmente o tumor de colo de útero dá muito corrimento no diagnóstico inicial, então precisa ser examinado. Existem outras causas para isso, como infecções ou inflamações vaginais. Contudo, um corrimento persistente, que não melhora mesmo após o uso de antibióticos e outras medidas, é um sinal de alerta”.
O sangramento fora do período menstrual também merece atenção, apesar de, na maioria dos casos, não estar associado ao câncer. “É sempre motivo de investigação. Nós temos as fases certas para sangrar, que é o período menstrual. Qualquer sangramento fora desse período precisa ser avaliado”, destaca a Dra. Graziella Piló.
Campanha de vacinação contra o HPV segue até dezembro
A campanha de vacinação contra o HPV, voltada a adolescentes de 15 a 19 anos, segue até o dia 31 de dezembro de 2026. Normalmente, o imunizante é oferecido para a faixa etária de nove a 14 anos. A atual mobilização é voltada àqueles que não receberam a dose na idade recomendada.
Esquema vacinal:
- Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos – dose única
- Pessoas imunodeprimidas (pessoas vivendo com HIV ou aids, transplantados e pacientes oncológicos) – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
- Vítimas de abuso sexual de 9 a 14 anos – 2 doses (0 e 6 meses).
- Vítimas de abuso sexual de 15 a 45 anos – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
- Pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR) a partir de 2 anos de idade – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
- Usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) de 15 a 45 anos – 3 doses (0, 2 e 6 meses).
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



