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Suplementos com cúrcuma podem trazer risco de danos ao fígado, alerta Anvisa

Medida fundamenta-se em investigações internacionais que detectaram casos raros, porém graves, de inflamação

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Agência ordenou que produtos de lote determinado da marca Água da Serra sejam recolhidos dos mercados
Agência ordenou que produtos de lote determinado da marca Água da Serra sejam recolhidos dos mercados • Marcelo Camargo / Agência Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu, nesta sexta-feira (6), um alerta de farmacovigilância direcionado a consumidores de medicamentos e suplementos à base de cúrcuma, popularmente conhecida como açafrão. A medida fundamenta-se em investigações internacionais que detectaram casos raros, porém graves, de inflamação e danos hepáticos vinculados à ingestão da substância em formatos de cápsulas ou extratos concentrados.

Entre os principais sinais de toxicidade elencados pelo órgão regulador estão a icterícia, caracterizada pelo amarelamento de pele e olhos, urina escura, náuseas, vômitos, fadiga intensa, perda de apetite e dores abdominais.

A agência esclarece que o risco não se estende ao uso tradicional da cúrcuma como tempero culinário. Segundo a Anvisa, o pó utilizado na preparação de alimentos permanece seguro e não faz parte do alerta, visto que não existem evidências de risco no consumo da planta como alimento ou aditivo alimentar.

A distinção reside no fato de que medicamentos e suplementos apresentam concentrações significativamente mais elevadas do ativo e uma maior capacidade de absorção pelo organismo.

O cenário brasileiro reflete uma movimentação global, uma vez que autoridades sanitárias da Itália, Austrália, Canadá e França também emitiram comunicados após identificarem casos suspeitos de intoxicação do fígado.

a França, a agência ANSES relatou dezenas de episódios de efeitos adversos, incluindo quadros de hepatite, o que levou alguns países a proibirem produtos específicos ou a exigirem alertas de segurança nos rótulos.

No âmbito nacional, a Anvisa já determinou a atualização das bulas dos medicamentos Motore e Cumiah para a inclusão de advertências. Procuradas pela reportagem, a Aché, responsável pelo Motore, e a Legrand Pharma, que fabrica o Cumiah, não enviaram posicionamento até o momento da publicação, permanecendo o espaço aberto para manifestações.

Quanto aos suplementos alimentares, o órgão informou que iniciará um processo de reavaliação e passará a exigir avisos sobre possíveis efeitos colaterais nas embalagens.

A orientação oficial para quem apresentar sintomas é interromper o uso imediatamente e buscar assistência médica. Eventuais suspeitas de reações adversas devem ser registradas nos sistemas VigiMed, para medicamentos, ou e-Notivisa, para suplementos.

Até o fechamento deste alerta, a Anvisa contabilizava 13 notificações no VigiMed relacionadas a medicamentos com cúrcuma e um registro de 2023 no e-Notivisa referente a suplementos, embora nenhum desses relatos específicos no Brasil tenha mencionado hepatotoxicidade até agora.

Com informações de CNN Brasil

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