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Síndrome rara ligada a pomadas com corticoide intriga médicos

Relatos de pele inflamada, dor intensa e descamação se espalham nas redes sociais e impulsionam pesquisas sobre a chamada Síndrome de Abstinência de Esteroides Tópicos (TSW)

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Uma condição ainda pouco compreendida tem chamado a atenção de médicos e pacientes no Reino Unido e em outras partes do mundo. Conhecida como Síndrome de Abstinência de Esteroides Tópicos, ou, em inglês 'Topical Steroid Withdrawal' (TSW), a doença é associada ao uso prolongado de cremes com corticoide, amplamente receitados para tratar problemas como eczema.

O alerta ganhou força com histórias como a da jovem Bethany Gamble. Diagnosticada com eczema ainda na infância, ela usou pomadas com esteroides por anos sem maiores complicações. No entanto, ao chegar à fase adulta, seu quadro mudou drasticamente, conforme relata uma reportagem publicada pela emissora britânica BBC.

Aos 18 anos, pequenas lesões começaram a se espalhar pelo corpo. A pele ficou quente, inflamada e extremamente dolorida. Com o tempo, surgiram rachaduras, secreções e uma coceira intensa. Dois anos depois, a situação era tão grave que Bethany já não conseguia sair da cama nem realizar tarefas básicas.

Além do sofrimento físico, ela enfrentou outro desafio: a falta de reconhecimento do problema. Segundo a jovem, médicos insistiam que se tratava apenas de eczema e recomendavam mais corticoides, mesmo diante da piora.

Como a TSW chamou atenção da Ciência

Casos como o dela têm se multiplicado nas redes sociais. A hashtag #TSW já ultrapassou bilhões de visualizações, reunindo relatos de pessoas com sintomas semelhantes, como vermelhidão intensa, descamação e dor generalizada.

Apesar da crescente visibilidade, a condição ainda divide opiniões na comunidade médica. Alguns especialistas acreditam que se trata de uma reação rara aos esteroides tópicos. Outros defendem que os sintomas podem ser formas graves de doenças de pele já conhecidas.

Diante das dúvidas, pesquisadores começaram a investigar o fenômeno. Um estudo liderado por especialistas da Universidade de Edimburgo busca entender por que alguns pacientes desenvolvem a síndrome enquanto outros não. A pesquisa analisa desde sintomas clínicos até amostras biológicas, como saliva e biópsias de pele.

TSW é eczema?

Os primeiros indícios sugerem padrões que não se encaixam no comportamento típico do eczema. Entre eles estão espessamento da pele, descamação extrema e áreas bem definidas de vermelhidão ao lado de regiões aparentemente saudáveis.

O impacto da doença vai além da pele. Muitos pacientes relatam isolamento social, interrupção de estudos e trabalho, além de sofrimento emocional significativo.

É o caso de Henry Jones, de 22 anos. O jovem viu sua rotina mudar completamente após o agravamento dos sintomas. O que antes era um eczema controlado evoluiu para uma condição incapacitante, levando-o a abandonar a faculdade.

Ele conta que, quanto mais usava os cremes prescritos, pior se sentia. A pele alternava entre inflamação intensa, descamação e secreção, em um ciclo contínuo que afetou sua qualidade de vida.

Diagnóstico e tratamento

Outro ponto de atenção é a dificuldade de diagnóstico, especialmente em pessoas com tons de pele mais escuros. Nesses casos, a coloração pode variar entre roxo, marrom ou acinzentado, o que pode atrasar a identificação da condição.

A britânica Karishma Leckraz relata que demorou a reconhecer o problema justamente por não se ver representada nos relatos mais comuns. Hoje, após interromper o uso dos esteroides, ela afirma ter melhorado fisicamente, mas ainda lida com consequências emocionais, como ansiedade social.

Embora considerada rara, a TSW já foi oficialmente reconhecida como uma possível reação adversa a cremes com esteroides por autoridades regulatórias do Reino Unido em 2021.

Especialistas reforçam que esses medicamentos continuam sendo seguros e eficazes para a maioria dos pacientes, mas alertam para riscos em casos de uso prolongado ou inadequado. Entre os efeitos colaterais possíveis estão afinamento da pele e alterações hormonais.

Enquanto isso, pacientes enfrentam dificuldades para acessar tratamentos alternativos. Em muitos casos, o atendimento especializado pode levar mais de um ano. Algumas opções incluem imunossupressores, fototerapia e apoio psicológico.

Há ainda terapias mais recentes, como o uso de plasma atmosférico frio, que busca reduzir inflamações e acelerar a cicatrização, embora ainda não seja amplamente reconhecida pelos sistemas públicos de saúde.

Apesar dos desafios, há sinais de esperança. Após anos de sofrimento, alguns pacientes relatam melhora com novos tratamentos, como medicamentos biológicos.

Hoje, Bethany começa a retomar sua rotina. Segundo ela relatou à BBC, conseguiu seu primeiro emprego e afirma estar recuperando a própria vida. Sua mensagem para quem enfrenta o mesmo problema é: "não se culpe e lute para ser ouvido".

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.