Redes sociais aumentam ansiedade e afetam autoestima de adolescentes
Redes sociais geram cenário de comparação e busca por validação externa em curtidas e comentários

O Brasil está na 32ª posição entre os países mais felizes, segundo o World Happiness Report 2026, da Universidade de Oxford. No entanto, as redes sociais estão entre os fatores que deixam adolescentes tristes, principalmente meninas.
A psicóloga infantojuvenil Fernanda Fusco afirma que essa faixa etária é mais vulnerável ao conteúdo publicado nas redes sociais. “Essas fases do desenvolvimento são marcadas pela construção da identidade, da autoestima e do senso de pertencimento. Nesse contexto, as redes sociais deixam de ser apenas ferramentas de comunicação e passam a influenciar diretamente a forma como esses jovens se percebem e se relacionam com o mundo”.
A principal causa do sofrimento está relacionada a percepção de si e autoestima. “Corpos, rotinas, conquistas e estilos de vida são apresentados de forma editada e idealizada, o que pode gerar a sensação de inadequação”, explica a profissional.
Essas cenas ensaiadas e postadas geram um cenário de comparação. “Especialmente entre meninas, isso pode impactar de maneira significativa a autoestima, levando à crença de que nunca são ‘boas o suficiente’. Essa comparação frequente tende a alimentar ansiedade, insegurança e até sintomas depressivos”, afirma a psicóloga.
A rede social também pode moldar a percepção do adolescente sobre si por meio da exposição a curtidas e comentários, que servem de validação externa. “Quando essa validação não vem, ou vem de forma negativa, o impacto emocional pode ser intenso, principalmente para quem ainda está desenvolvendo recursos internos para lidar com frustrações e críticas”.
A psicóloga destaca que os adultos têm papel fundamental no controle do acesso às redes sociais e na escuta aos jovens. “Mais do que controlar ou proibir o uso das redes sociais, é importante acompanhar, dialogar e ajudar crianças e adolescentes a desenvolver um olhar crítico sobre o que consomem. Ensinar que nem tudo o que aparece na internet corresponde à realidade, incentivar pausas digitais e fortalecer vínculos fora das telas são estratégias que contribuem para o equilíbrio emocional”, recomenda.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



