Proibição do PMMA entra em vigor nesta terça (2); especialista explica riscos
Conselho Federal de Medicina proibiu o uso do polimetilmetacrilato como preenchedor em procedimentos estéticos

O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu nessa sexta-feira (29), o uso do polimetilmetacrilato (PMMA) como substância preenchedora em procedimentos médicos com finalidade estética ou reparadora. A medida entrou em vigor nesta terça-feira (2) após ser publicada no Diário Oficial da União (DOU).
O médico dermatologista Lucas Miranda, que é membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica o que é a substância e como ela é usada.
"O PMMA, ou polimetilmetacrilato, é uma substância sintética utilizada como preenchedor permanente. Diferentemente de produtos absorvíveis, como o ácido hialurônico, ele permanece no organismo de forma definitiva, o que aumenta o potencial de complicações ao longo do tempo. Embora tenha sido empregado em algumas situações reparadoras específicas da medicina, seu uso em procedimentos estéticos sempre gerou grande preocupação entre especialistas devido ao perfil de risco associado", destaca o profissional.
Ele detalha que as complicações associadas ao PMMA podem surgir logo após a aplicação da substância ou anos depois. “Entre os principais riscos estão processos inflamatórios crônicos, formação de nódulos e granulomas, infecções, migração do produto para outras áreas do corpo, deformidades estéticas, necrose tecidual, embolias vasculares e, em casos mais graves, complicações sistêmicas potencialmente fatais”, lista o profissional.
Em casos de complicação, o paciente precisará remover o PMMA. Porém, “por ser um material permanente, a remoção costuma ser extremamente difícil e, muitas vezes, impossível de ser realizada de forma completa”.
Como alternativa, o especialista aponta o ácido hialurônico, que é absorvível e apresenta possibilidade de reversão. "Dependendo da indicação clínica, também podem ser utilizados bioestimuladores de colágeno, tecnologias de ultrassom microfocado, radiofrequência e outras abordagens que oferecem resultados eficazes com um perfil de segurança mais favorável quando corretamente indicadas e executadas por profissionais habilitados", recomenda.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



