O governo federal anunciou nesta quarta (7) a construção do primeiro hospital público inteligente do Brasil, que será implantado na cidade de São Paulo. A unidade fará parte da rede de assistência de saúde digital do
Os recursos para o projeto virão de um empréstimo de R$ 1,7 bilhão do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco dos Brics. O anúncio foi feito em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do
Segundo o Ministério da Saúde, o hospital será referência nacional e um modelo de assistência em saúde totalmente digital, podendo servir de exemplo também para outros países do bloco. A unidade vai atender pacientes da rede pública com medicina de alta precisão, apoiada por inteligência artificial e outras tecnologias emergentes.
O hospital integrará uma rede de serviços inteligentes de saúde, com 14 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) automatizadas, que funcionarão de forma interligada em diferentes estados do país.
O novo hospital será vinculado à Universidade de São Paulo (USP). A estrutura contará com um setor de emergência com 250 leitos e capacidade para atender cerca de 200 mil pacientes por ano. A UTI terá 350 leitos, conectados às UTIs inteligentes da rede. Também estão previstas 25 salas de cirurgia. A expectativa é que a unidade fique pronta em um prazo de três a quatro anos.
De acordo com o ministério, os serviços inteligentes de saúde utilizam infraestrutura digital para otimizar processos e melhorar os resultados clínicos. A previsão é que o hospital inteligente reduza em mais de cinco vezes o tempo de espera por atendimento especializado em situações de urgência e emergência.
Além da construção do hospital, o projeto prevê a modernização de hospitais de excelência do SUS. Entre eles estão unidades da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o novo Hospital Oncológico da Baixada Fluminense, o novo hospital do Grupo Hospital Conceição, no Rio Grande do Sul, e o Instituto do Cérebro, no Rio de Janeiro.
Hospitais federais do Rio de Janeiro, incluindo os da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), também passarão por reestruturação. Para essas obras, o investimento previsto é de R$ 1,2 bilhão.
Para o presidente Lula, o hospital inteligente contribui para fortalecer a imagem do SUS, especialmente após a atuação do sistema público durante a pandemia de covid-19.
“O SUS era tratado de forma muito pejorativa, ou seja, só se mostrava desgraça no SUS, só se mostrava miséria no SUS, só se mostrava morte no SUS”, afirmou.
O presidente destacou ainda que a população mais vulnerável deve ser beneficiada pelo avanço tecnológico. “Nós precisamos garantir que o povo mais humilde não pode ser invisível. Ele tem que ser olhado. É para eles que a gente governa. É em função dele que nós temos que melhorar a coisa.”
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o projeto representa um salto na modernização do sistema público.
A presidenta do NDB, Dilma Rousseff, informou que o prazo para pagamento do empréstimo será de 30 anos e destacou a parceria com outros países do Brics.
“Esse contrato vai muito além do investimento em estrutura hospitalar. Ele faz parte do compromisso do banco em promover o desenvolvimento, que significa hoje o acesso à tecnologia”, afirmou.