Pesquisa diz que alterações na respiração podem estar ligadas à hipertensão
Estudo realizado inicialmente com ratos aponta possíveis conexões da expiração com a pressão alta

Um mecanismo desencadeado no cérebro pode ajudar a explicar por que cerca de 40% das pessoas com hipertensão continuam com pressão alta mesmo tomando medicamentos. A descoberta realizada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) aponta alvos para a busca por novos tratamentos.
O estudo mostrou que alterações nos padrões respiratórios, especialmente envolvendo fortes contrações dos músculos abdominais (expiração ativa), podem desencadear hipertensão.
Em ratos, os cientistas descobriram que neurônios localizados na região parafacial lateral modulam a atividade simpática durante a expiração, contraindo vasos sanguíneos e contribuindo para picos de pressão arterial e hipertensão neurogênica.
Responsável por controlar a expiração ativa, a região parafacial lateral está localizada na porção mais inferior do tronco encefálico (bulbo), que conecta o cérebro à medula espinhal
“Ficamos surpresos com esse resultado de que os neurônios da expiração ativa têm a capacidade de impactar a função cardiovascular. Isso tem implicações em condições patológicas, como a hipertensão arterial”, afirmou à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) o professor Davi José de Almeida Moraes, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e autor correspondente do artigo
“Por isso, propusemos que a região parafacial lateral seja um possível alvo terapêutico para tratamento da hipertensão”, completou.
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A hipertensão é o fator de risco isolado mais importante para doenças cardiovasculares, sendo uma das principais causas de ataques cardíacos, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças renais crônicas. Vários fatores influenciam os níveis de pressão arterial, entre eles fumo, consumo de bebidas alcoólicas, obesidade, estresse, elevado consumo de sal, altos níveis de colesterol e falta de atividade física.
Mesmo prevenível e tratável, estima-se que 1,4 bilhão de pessoas tenham hipertensão. Somente uma em cada cinco consegue controlar a condição com medicamentos ou por meio de ações sobre fatores de risco, segundo o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em 2025.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que a hipertensão afeta cerca de 30% dos adultos. No ano passado, uma nova recomendação das sociedades Brasileira de Cardiologia (SBC), de Hipertensão (SBH) e de Nefrologia (SBN) alterou o patamar de pressão arterial considerada de risco, alinhando as diretrizes a padrões internacionais.
O famoso “12 x 8” (pressão arterial sistólica de 120 mmHg e diastólica de 80 mmHg) passou a ser classificado como pré-hipertensão, um alerta que merece atenção visando reforçar medidas preventivas. O padrão normal tem de ficar abaixo desse patamar.
(Sob supervisão de Lucas Borges)
Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.



