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Canetas emagrecedoras aumentam consumo de proteína, mas excesso pode trazer riscos à saúde

Especialista explica que alimentos e suplementos hiperproteicos podem ajudar a preservar a massa muscular durante o emagrecimento, mas o consumo sem orientação pode causar prejuízos à saúde

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Imagem ilustrativa de caneta emagrecedora
Imagem ilustrativa de caneta emagrecedora • Unsplash

O crescimento do uso das chamadas canetas emagrecedoras tem impulsionado a procura por alimentos e suplementos ricos em proteína. Embora o nutriente seja importante para preservar a massa muscular durante o processo de emagrecimento, especialistas alertam que o consumo em excesso não acelera a perda de peso e ainda pode trazer riscos à saúde.

Dados da consultoria IQVIA, divulgados pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), mostram que as vendas desses medicamentos cresceram 42% em volume em 2025, totalizando 8,7 milhões de unidades comercializadas no país. Com a popularização dos tratamentos, produtos como shakes, barras de proteína, iogurtes, bebidas proteicas e suplementos passaram a ocupar cada vez mais espaço na rotina dos consumidores.

Segundo a nutricionista e professora da Una, Jeannine Antunes, a busca por um estilo de vida mais saudável, associada à influência das redes sociais e à valorização da estética corporal, tem estimulado esse comportamento. "Tem sido amplamente observado o consumo exagerado de proteínas, tanto por meio de alimentos in natura quanto pelo uso indiscriminado de suplementos e bebidas com adição proteica." Proteína é importante, mas não deve ser consumida sem orientação

A especialista explica que a proteína exerce funções essenciais no organismo, como a manutenção da massa muscular, o reparo dos tecidos e a produção de enzimas e hormônios. Associada ao treinamento de força, também contribui para o ganho de massa muscular.

No entanto, ela destaca que mais proteína não significa, necessariamente, melhores resultados. "Apesar de a proteína desempenhar funções fundamentais no organismo humano, sua ingestão em excesso deve ser analisada com cautela e de maneira individualizada."

O alerta é ainda mais importante para quem utiliza medicamentos agonistas do GLP-1, classe que inclui as canetas emagrecedoras. Estudos apontam que parte da perda de peso durante o tratamento pode ocorrer às custas da massa muscular, o que torna fundamental uma alimentação equilibrada, prática de exercícios de força e acompanhamento nutricional.

Alimentos naturais devem ser prioridade

A nutricionista recomenda priorizar fontes naturais de proteína, como carnes, ovos, leite, derivados e leguminosas. Já os produtos industrializados enriquecidos com proteína devem ser utilizados apenas quando houver indicação profissional. Segundo Jeannine, muitos alimentos vendidos como hiperproteicos apresentam altos teores de sódio, gorduras saturadas, adoçantes e outros aditivos.

"A presença de proteína no rótulo não torna automaticamente um produto saudável." Por isso, a orientação é avaliar toda a composição nutricional e não apenas a quantidade de proteína informada na embalagem.

Excesso de proteína pode aumentar risco de doenças

De acordo com a especialista, dietas hiperproteicas mantidas por longos períodos podem representar riscos, principalmente para pessoas com doenças renais ou predisposição a alterações metabólicas. O consumo exagerado também tem sido associado ao aumento do risco de problemas como:

  • hipertensão arterial;
  • dislipidemias (alterações no colesterol e triglicerídeos);
  • resistência à insulina;
  • doenças cardiovasculares.

Jeannine reforça que as canetas emagrecedoras são medicamentos de prescrição médica e não substituem uma estratégia completa de perda de peso. Segundo ela, o tratamento deve estar associado a uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento por profissionais de saúde.

"Embora a proteína seja um nutriente essencial em todas as fases da vida, seu consumo deve ser equilibrado, individualizado e acompanhado por profissional habilitado. Dessa forma, é possível potencializar os benefícios e reduzir os riscos à saúde", conclui.

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