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Lágrimas em excesso: médica explica causas e quando é necessário investigar

Excesso de lágrimas pode indicar problemas como alergias e obstrução das vias lacrimais

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Lágrimas em excesso
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Lágrimas em excesso podem ser sinal de obstrução das vias lacrimais, alergias ou olho seco. A oftalmologista Nicole Ciotto, especialista em retina e plástica ocular, explica que, quando o quadro começa a prejudicar a qualidade de vida do paciente, causando incômodo na pele abaixo dos olhos ou dificuldade para enxergar, é necessário investigar a questão.

“A lágrima é fundamental para a proteção dos olhos, mas, quando em excesso, começa a prejudicar a qualidade de vida. Ela incomoda a pele pelo escoamento constante, atrapalha para enxergar e para dirigir. Um ponto importante é quando o lacrimejamento está associado a secreção, dor ou inchaço na região próxima ao nariz, o que sugere uma obstrução”, alerta a profissional em participação no programa Acir Antão desta quarta-feira (13).

Ela explica quais são as causas do problema. “Basicamente, existem dois mecanismos: o excesso de produção ou a obstrução da drenagem. O excesso pode vir de alergias ou do olho seco; paradoxalmente, quando o olho está seco, o cérebro envia uma informação para a glândula lacrimal produzir mais lágrima como compensação. Já a obstrução funciona como uma pia entupida: a lágrima é produzida, mas não tem como escoar pelo trajeto natural até o nariz, então ela vaza.”

Quando essa lágrima se transforma na 'remela', o problema pode ser outro. "Isso pode indicar uma infecção, como a dacriocistite (infecção do saco lacrimal), que causa inchaço perto do nariz e deve ser tratada com antibióticos. O olho não deve arder nem coçar. Recomendamos a higiene diária dos cílios para evitar a blefarite e alertamos sobre o perigo de resíduos de maquiagem, que podem obstruir as glândulas da pálpebra".

Em bebês, as lágrimas em excesso são comuns, mas na maioria dos casos, não são sinais de problemas graves. "É muito comum em recém-nascidos porque a membrana de Hasner, no final do ducto, pode não estar perfurada ao nascimento. A boa notícia é que mais de 90% dos casos se resolvem espontaneamente com massagens locais, sem necessidade de cirurgia."

A médica detalha como é feito o diagnóstico. "No consultório, fazemos o teste de Milder, que avalia o menisco do filme lacrimal, e a sondagem das vias lacrimais. Inserimos um instrumento fininho e irrigamos com soro; se o paciente sentir o gosto do soro na garganta, a via está aberta. Também usamos exames de imagem como dacriocistografia, tomografia e dacriocintilografia para localizar a obstrução. Com o envelhecimento, a posição da pálpebra ou do ponto lacrimal pode mudar, impedindo a lágrima de entrar no canal."

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.