Férias escolares podem aumentar a ansiedade em adolescentes; veja os sinais de alerta
Mudanças na rotina, excesso de telas e expectativa pelo retorno às aulas podem intensificar sintomas de ansiedade durante o recesso escolar

As férias escolares costumam ser associadas ao descanso e ao lazer, mas também podem representar um período de maior vulnerabilidade emocional para muitos adolescentes. A mudança na rotina, o aumento do tempo em frente às telas, a redução das interações presenciais e a expectativa pelo retorno às aulas podem intensificar sintomas de ansiedade e exigir atenção das famílias.
O alerta ganha ainda mais relevância diante dos dados do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a série histórica mais recente da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), disponível no DataSUS, em 2023 foram registrados 125,8 atendimentos por transtornos de ansiedade a cada 100 mil habitantes entre crianças de 10 a 14 anos e 157 atendimentos por 100 mil entre adolescentes de 15 a 19 anos. Os índices superam a taxa observada entre adultos, de 112,5 atendimentos por 100 mil habitantes.
Segundo o psicólogo e professor da Una, Felipe Viegas Tameirão, o aumento das queixas relacionadas à ansiedade também tem sido percebido em Minas Gerais.
"Temos observado um aumento dos sintomas de ansiedade na população em geral, e os adolescentes fazem parte desse cenário."
Por que as férias podem aumentar a ansiedade?
Embora o período sem aulas represente uma pausa nas obrigações escolares, ele também altera hábitos importantes para o equilíbrio emocional. Sem uma rotina estruturada, alguns adolescentes passam mais tempo conectados às redes sociais, dormem menos, reduzem a prática de atividades físicas e convivem com preocupações sobre o próximo semestre.
De acordo com o especialista, a sociedade atual também contribui para esse cenário. "Vivemos uma cultura marcada pela comparação permanente, pela rapidez das informações e pela sensação de que é preciso estar sempre produzindo ou correspondendo às expectativas."
O psicólogo ressalta que cada adolescente reage de forma diferente às mudanças, já que fatores biológicos, emocionais, familiares e sociais influenciam o desenvolvimento da ansiedade.
Quando a ansiedade deixa de ser normal?
Sentir ansiedade antes de uma prova, uma viagem ou uma mudança importante faz parte da vida e pode até ajudar na preparação para situações desafiadoras. O problema surge quando o sofrimento passa a comprometer o dia a dia.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- isolamento social;
- irritabilidade persistente;
- alterações no sono ou no apetite;
perda de interesse por atividades antes prazerosas;
preocupações excessivas;
crises frequentes de ansiedade;
dores de cabeça ou dores abdominais sem causa clínica identificada.
Segundo Felipe Tameirão, o principal aspecto a ser observado pelas famílias é a mudança significativa no comportamento habitual do adolescente.
"Mais do que um sintoma isolado, é importante perceber se esse sofrimento está prejudicando a rotina, as relações familiares, a convivência com os amigos ou o desempenho escolar. Quando isso acontece, a orientação é procurar ajuda profissional."
Fatores que podem favorecer a ansiedade nas férias
Especialistas destacam alguns fatores que podem contribuir para o aumento da ansiedade durante o recesso escolar:
- excesso de tempo nas redes sociais;
- comparação constante com outras pessoas;
- uso de telas até tarde, prejudicando o sono;
- redução da prática de atividades físicas;
- mudanças na rotina diária;
- conflitos familiares;
- preocupação com o retorno às aulas.
De acordo com o psicólogo, identificar os sinais precocemente e buscar acompanhamento especializado, quando necessário, pode reduzir o sofrimento emocional e favorecer o desenvolvimento saudável dos adolescentes.
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