Como saber que a depressão voltou? Psiquiatra explica recaída da doença que afeta o padre Fábio de Melo
Religioso revelou que foi diagnosticado com depressão mais uma vez; médico afirma que doença pode se tornar crônica na medida em que o paciente tem novos episódios depressivos

O padre Fábio de Melo revelou, na noite deste domingo (19), que está novamente com depressão. A confissão aconteceu durante as celebrações pelos 35 anos da Comunidade Católica de Maria, em São Lourenço da Mata (PE).
"Casos como o do padre Fábio de Melo, que infelizmente teve uma recaída da depressão, são muito comuns. A depressão é considerada uma doença crônica e recorrente. Ou seja, muitas pessoas podem experimentar vários episódios depressivos ao longo da vida. Uma pessoa que teve depressão uma vez na vida, tem 50% de chance de ter o segundo episódio depressivo. Quando essa pessoa tem o segundo episódio, ela tem 70% de chance de ter um terceiro. Se ela tem o terceiro, a chance do quarto é de 90%", explica.
Quais os sinais que a depressão voltou?
"A primeira coisa é que a pessoa vai perdendo um pouquinho a energia. Ela vai tendo menos prazer em fazer coisas que antes ela fazia, como ir a um parque, andar de bicicleta, fazer atividade física. Ela vai restringindo a vida, deixando cada vez mais fechada. Chegando ao ponto de só fazer o mínimo necessário", descreve.
"Em um segundo momento, começa o isolamento. A pessoa perde a graça em coisas que antes lhe davam prazer, como ir ao cinema, fazer uma atividade física ou encontrar os amigos. Ela começa a se isolar até finalmente chegar num quadro depressivo. Um outro sinal de alerta é a alteração do sono e apetite, tanto para mais, quanto para menos".
Acho que a depressão voltou, o que devo fazer?
"As pessoas próximas são fundamentais. Elas precisam saber que é uma doença e não é frescura ou falta de espiritualidade. A depressão é uma doença como qualquer outra. Para poder ajudar uma pessoa com depressão, estimule ela a ir no médico, ajude ela a tomar a medicação e tire um pouquinho a pessoa de casa. Quando você tá depressivo, você tem vontade de se isolar e de ficar somente em casa", afirma.
Tratamento varia conforme a quantidade de recaídas
Calderoni afirma que o tratamento da depressão também varia conforme a quantidade de vezes que a pessoa teve um episódio depressivo.
"O primeiro episódio depressivo, a gente tenta tratar de um a dois anos, principalmente. E aí a gente vai tentando tirar o remédio. Mas 50% pode ter o segundo, aí o tratamento já fica mais longo, por volta de três a cinco anos. A partir do terceiro episódio, já é considerado uma depressão recorrente, em que a gente vai usar a medicação cronicamente para o resto da vida", detalha.
"A pessoa começa a acreditar que já tá bem, começa a ver efeitos da medicação, ou mesmo acha que o preço da medicação tá cara e que já não precisa mais da medicação. E aí, muitas vezes ocorre a segunda fase depressiva, o que vai agravando", afirma.
Depressão tem cura?
"Quando uma depressão é muito reativa, ou seja, aconteceu alguma coisa muito séria na vida da pessoa e ela não tem um componente genético tão importante, a gente faz o tratamento por dois anos e a depressão nunca mais volta. Agora, quando existe um componente genético importante e a pessoa tem mais de uma crise depressiva, a gente não consegue falar em cura, a gente fala em tratamento", esclarece.
Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


