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Ceratopigmentação: cirurgia para mudar a cor dos olhos pode causar danos permanentes

Oftalmologista explica que o procedimento não é recomendado para fins estéticos

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Procedimento ganhou popularidade nas redes sociais • Imagem ilustrativa - Pixabay

A possibilidade de mudar a cor dos olhos por meio de cirurgia tem ganhado espaço nas redes sociais, mas o procedimento ainda gera preocupação entre especialistas. Segundo o médico oftalmologista Tiago César Pereira Ferreira, que também é membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, a técnica chamada ceratopigmentação foi criada para fins terapêuticos. Ela não possui evidências suficientes de segurança quando usada apenas por motivos estéticos em olhos saudáveis.

A ceratopigmentação consiste na inserção de pigmentos na córnea para criar a impressão de uma nova cor da íris. "A cor natural da íris não é modificada; ela é mascarada por uma pigmentação realizada na camada transparente localizada à frente dela", explica o especialista. Segundo ele, o procedimento foi criado para beneficiar pacientes com alterações importantes na córnea ou na íris. Isso inclui casos de baixa visão ou cegueira, nos quais a melhora estética pode ajudar a melhorar a qualidade de vida.

O problema, segundo o oftalmologista, é a realização da cirurgia em pessoas sem qualquer doença ocular. "Existem poucas evidências científicas sobre a segurança desse procedimento no longo prazo quando realizado em olhos saudáveis. Não sabemos com precisão como esses pigmentos irão se comportar ao longo de décadas, nem quais poderão ser os impactos futuros sobre a transparência da córnea, a resposta inflamatória do organismo e até a realização de exames e cirurgias oftalmológicas no futuro", afirma.

Como qualquer cirurgia ocular, a ceratopigmentação apresenta riscos. Entre as possíveis complicações estão infecções, inflamações, cicatrizes na córnea, dor crônica, sensibilidade à luz, redução da qualidade da visão e dificuldade para realizar exames oftalmológicos. Em casos mais graves, o procedimento pode provocar perda permanente da visão.

O especialista também alerta para a comparação frequente entre a cirurgia e o uso de lentes de contato coloridas. "A lente de contato é removível. Se houver qualquer desconforto ou insatisfação, basta interromper o uso. Já uma cirurgia altera permanentemente a estrutura ocular, e nem sempre é possível reverter completamente as mudanças realizadas", ressalta.

Segundo Ferreira, o entendimento predominante entre as principais sociedades oftalmológicas é que a ceratopigmentação deve permanecer restrita às indicações médicas para as quais foi desenvolvida. O uso exclusivamente estético em olhos saudáveis, afirma, ainda não conta com evidências robustas que justifiquem sua adoção rotineira.

Antes de recorrer ao procedimento, o oftalmologista recomenda que o paciente busque orientação médica e avalie os riscos envolvidos. "Na oftalmologia, a prioridade sempre deve ser preservar a função do olho. A beleza nunca pode estar acima da saúde ocular. Antes de considerar qualquer intervenção desse tipo, é fundamental que o paciente converse com um oftalmologista, compreenda os riscos reais e tome uma decisão baseada em evidências científicas, e não apenas em tendências das redes sociais".

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.