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Cardiomiopatia hipertrófica: entenda doença associada à morte de Gabriel Ganley

Fisiculturista de 22 anos foi encontrado morto em seu apartamento em São Paulo

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Gabriel Ganley, atleta de fisiculturismo e influenciador, faleceu no sábado (23) • Reprodução/@ganleygabriel

A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, trouxe atenção para a cardiomiopatia hipertrófica, uma doença genética do coração considerada a principal causa de morte súbita em jovens atletas. A condição é caracterizada pelo espessamento anormal do músculo cardíaco, o que pode comprometer o funcionamento do órgão e aumentar o risco de arritmias graves.

Segundo a cardiologista Patrícia Tavares, coordenadora do serviço de cardiologia da Rede Mater Dei, a cardiomiopatia hipertrófica é a doença cardíaca genética mais comum no mundo, afetando cerca de uma em cada 500 pessoas. “Em cerca de 30% a 50% dos pacientes, o espessamento do músculo cria uma obstrução na saída do sangue do coração. O coração espessado também apresenta dificuldade para relaxar e encher de sangue adequadamente”, explica. Entre os sintomas mais frequentes estão falta de ar aos esforços, dor no peito, desmaios, arritmias e insuficiência cardíaca.

A especialista ressalta que a doença não é causada pelo uso de anabolizantes ou insulina. “A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença genética hereditária, causada por mutações em genes que codificam proteínas do sarcômero cardíaco”, afirma. Apesar disso, ela alerta que os esteroides anabolizantes podem provocar outros danos importantes ao sistema cardiovascular. “O uso de anabolizantes está associado a efeitos cardiovasculares prejudiciais, incluindo hipertrofia cardíaca, arritmias, hipertensão e aumento do risco de infarto agudo do miocárdio”, destaca.

A relação entre exercícios intensos e a doença vem sendo reavaliada pela comunidade científica. Durante muitos anos, acreditava-se que atividades de alta intensidade poderiam aumentar significativamente o risco de eventos graves. “Tradicionalmente, havia grande preocupação de que exercícios de alta intensidade pudessem desencadear arritmias fatais e piorar a fibrose do músculo cardíaco ao longo do tempo”, explica Patrícia Tavares.

No entanto, estudos mais recentes indicam que a prática de exercícios moderados pode ser segura para muitos pacientes. “O estudo RESET HCM demonstrou que, após 16 semanas de exercícios moderados, houve melhora na capacidade física sem nenhum caso de arritmia ventricular sustentada, parada cardíaca súbita ou morte”, afirma a cardiologista. Atualmente, as diretrizes da American Heart Association e do American College of Cardiology recomendam atividades recreacionais de intensidade leve a moderada para pessoas com a condição, enquanto exercícios vigorosos devem ser avaliados individualmente.

O diagnóstico costuma ser feito por exames como ecocardiograma e ressonância magnética cardíaca, além de testes genéticos em alguns casos. O tratamento inclui medicamentos para controlar os sintomas, procedimentos para reduzir a obstrução do coração e, em pacientes com maior risco de morte súbita, o implante de cardioversor-desfibrilador. “O acompanhamento regular com cardiologista especializado é fundamental para monitorar a progressão da doença e ajustar o tratamento conforme necessário”, conclui Patrícia Tavares.

Morte de Gabriel Ganley

Gabriel Ganley foi encontrado morto em seu apartamento em São Paulo nesse sábado (23). O atestado de óbito do fisiculturista aponta que ele foi vítima de morte súbita causada por cardiomiopatia hipertrófica.

Trata-se de uma condição genética, que afeta uma em cada 500 pessoas no mundo. Na maioria dos casos, a doença é causada por um defeito genético hereditário. A cardiomiopatia hipertrófica também pode resultar de mutações genéticas espontâneas.

Segundo o boletim de ocorrência, um amigo de Gabriel foi até o apartamento dele depois de ser acionado por familiares do atleta, que não conseguiam contato com ele desde quinta-feira (21). Ao chegar ao apartamento, o homem encontrou o fisiculturista caído no chão da cozinha do imóvel.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.