Perda de massa muscular preocupa especialistas após emagrecimento acelerado
Emagrecimento rápido, como acontece com as canetas emagrecedoras, pode causar perda de massa muscular

O uso de medicamentos para emagrecimento, como as canetas emagrecedoras, tem transformado a jornada para a perda de peso. No entanto, especialistas destacam que o sucesso do tratamento não depende apenas dos quilos eliminados na balança.
Segundo a nutricionista esportiva Amanda Brant, especialista em Fisiologia e Comportamento Alimentar, “alinhar o uso de medicamentos ao funcionamento do organismo é, antes de tudo, um exercício de escuta e paciência. Eles atuam como facilitadores, modulando sinais de fome e saciedade, mas o emagrecimento equilibrado acontece quando oferecemos ao corpo os recursos necessários para se transformar sem entrar em estado de alerta", afirma.
De acordo com a especialista, o acompanhamento deve priorizar alimentação nutritiva, respeito ao ritmo biológico e construção de hábitos sustentáveis. "Quando o apetite diminui, cada escolha alimentar precisa ser mais nutritiva, garantindo o funcionamento adequado do organismo. Ao mesmo tempo, é fundamental entender que o peso é apenas um dos indicadores; energia, disposição e estabilidade emocional também fazem parte desse processo. E, acima de tudo, o objetivo é usar esse momento para consolidar hábitos que possam ser mantidos no longo prazo", explica.
A profissional ressalta que a estratégia deve ser individualizada para cada paciente. "O ajuste entre dose, alimentação e rotina é o que permite que a tecnologia trabalhe a favor da saúde e não contra ela."
Perda de músculo preocupa especialistas
Uma das principais preocupações associadas ao emagrecimento acelerado é a redução da massa muscular. “Preservar a musculatura não é uma questão estética. É o que garante força, autonomia e eficiência metabólica ao longo da vida”, destaca Amanda Brant.
A educadora física Roberta Porto afirma que essa mudança já é observada na prática clínica. "Hoje, muitas pessoas chegam mais magras, mas com baixa sustentação muscular, flacidez e pouca disposição. O peso diminuiu, mas a qualidade corporal não acompanhou esse processo", afirma.
Para ela, emagrecer e ter um corpo saudável não são necessariamente a mesma coisa. “Um corpo magro não é necessariamente um corpo saudável. O que define isso é a composição corporal, a relação entre massa muscular e gordura. Duas pessoas com o mesmo peso podem ter estruturas completamente diferentes”, explica.
Importância do exercício físico
Nessa condição, a musculação passa a ser considerada parte essencial do processo de emagrecimento e da manutenção dos resultados. “Sem estímulo muscular, o corpo não recebe o sinal de que precisa preservar sua estrutura. O resultado pode ser um emagrecimento acompanhado de perda de força e queda de performance”, esclarece Roberta Porto.
A recomendação é combinar exercícios de fortalecimento muscular com atividades cardiovasculares, priorizando regularidade e planejamento. "A base deve ser o treino de força, com frequência consistente, combinado a estímulos cardiovasculares bem planejados. Não se trata de volume, mas de qualidade e constância", orienta.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



