Vitaminas, zinco e probióticos: quais suplementos fortalecem a imunidade
Vitaminas, minerais e probióticos podem contribuir para o funcionamento do sistema imunológico em casos específicos, mas especialistas reforçam que alimentação, sono e vacinação continuam sendo os principais pilares da prevenção de doenças.

O interesse por suplementos para fortalecer a imunidade cresce principalmente durante o inverno, quando aumenta a circulação de vírus respiratórios. Nas farmácias, vitaminas, minerais e probióticos figuram entre os produtos mais procurados por quem deseja reduzir o risco de infecções. Mas será que eles realmente funcionam?
A resposta depende de um fator importante: a necessidade individual. O sistema imunológico é altamente complexo e depende de diversos fatores, como alimentação, prática de atividade física, qualidade do sono, vacinação e controle do estresse. Os suplementos podem ajudar quando há deficiência nutricicional comprovada ou maior necessidade fisiológica, mas não substituem hábitos saudáveis.
Uma revisão publicada em 2024 pela revista científica Nutrients reforça que a suplementação pode beneficiar pessoas com deficiência de determinados micronutrientes, enquanto indivíduos com níveis adequados tendem a obter benefícios limitados com o consumo indiscriminado.
Vitamina D está entre as mais estudadas
A vitamina D é uma das substâncias mais investigadas quando o assunto é imunidade. Além de participar da saúde óssea, ela atua na regulação das células de defesa do organismo.
Uma meta-análise publicada no The BMJ demonstrou que a suplementação pode reduzir o risco de infecções respiratórias agudas principalmente em pessoas com deficiência da vitamina.
Como grande parte da população apresenta níveis insuficientes, especialmente quem permanece pouco tempo exposto ao sol, a avaliação médica pode indicar quando a suplementação é necessária.
Vitamina C continua importante
Popular há décadas, a vitamina C participa da produção de células do sistema imunológico e possui ação antioxidante.
Segundo revisões da Cochrane Library, ela não impede que pessoas saudáveis desenvolvam resfriados, mas pode reduzir discretamente a duração dos sintomas em alguns casos, especialmente em indivíduos submetidos a intenso esforço físico ou exposição ao frio.
Zinco pode ajudar na resposta imunológica
O zinco participa diretamente da produção e da ativação de células de defesa. Sua deficiência está associada ao aumento da suscetibilidade a infecções.
A European Food Safety Authority (EFSA) reconhece que o mineral contribui para o funcionamento normal do sistema imunológico. No entanto, o excesso pode provocar efeitos adversos e interferir na absorção de outros nutrientes, motivo pelo qual a suplementação deve respeitar as doses recomendadas.
Probióticos e saúde intestinal
Cerca de 70% das células imunológicas estão relacionadas ao trato gastrointestinal. Por isso, a saúde intestinal desperta cada vez mais interesse entre pesquisadores.
Uma revisão publicada pela World Gastroenterology Organisation aponta que determinadas cepas de probióticos podem contribuir para reduzir episódios de algumas infecções respiratórias e melhorar o equilíbrio da microbiota intestinal. Entretanto, os benefícios dependem da cepa utilizada, da dose e da condição clínica de cada pessoa.
Ômega-3 e selênio também despertam interesse
O ômega-3 é conhecido principalmente pelos benefícios cardiovasculares, mas também participa da modulação da resposta inflamatória do organismo.
Já o selênio atua como antioxidante e auxilia no funcionamento adequado das células imunológicas. Ambos podem fazer parte de uma estratégia nutricional equilibrada, especialmente quando há ingestão insuficiente pela alimentação.
Alimentação continua sendo a principal estratégia
Apesar da popularidade dos suplementos, organizações internacionais reforçam que eles não substituem uma alimentação variada.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, recomendam priorizar frutas, verduras, legumes, cereais integrais, proteínas de qualidade e oleaginosas para garantir o fornecimento natural de vitaminas e minerais.
Dormir bem, praticar atividade física regularmente, manter a vacinação em dia e controlar o estresse também fazem parte das medidas mais eficazes para preservar a imunidade ao longo do ano.
Antes de iniciar qualquer suplementação, a recomendação é procurar um médico ou nutricionista. Exames laboratoriais ajudam a identificar possíveis deficiências e evitam o consumo desnecessário de produtos que podem não trazer benefícios — e, em alguns casos, causar excesso de nutrientes no organismo.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.



