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Ter filhos pode influenciar quanto tempo você vai viver, aponta estudo

Pesquisa identificou relação entre número de filhos e sinais de envelhecimento biológico ao longo da vida

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Sobre filhos e idade
Ter filhos pode influenciar quanto tempo você vai viver, aponta estudo • Pexels

Ter filhos é uma das decisões mais importantes da vida adulta. Questões emocionais, financeiras, profissionais e familiares costumam pesar nessa escolha. Agora, pesquisadores da Finlândia apontam que a maternidade também pode estar associada a outro aspecto que raramente entra nessa discussão: o envelhecimento biológico.

Um estudo conduzido pela Universidade de Helsinque identificou uma relação entre o número de filhos e indicadores ligados à longevidade feminina. Os resultados sugerem que tanto ter muitos filhos quanto não ter nenhum pode estar associado a sinais de envelhecimento biológico mais acelerado, enquanto mulheres com dois ou três filhos apresentaram, em média, os resultados mais favoráveis.

A descoberta chamou atenção porque não analisou apenas expectativa de vida. Os cientistas buscaram compreender como determinadas escolhas ao longo da vida podem influenciar o funcionamento do organismo décadas mais tarde.

O que os pesquisadores descobriram

A equipe avaliou dados de milhares de mulheres para investigar a relação entre histórico reprodutivo e envelhecimento. Entre os principais resultados observados, mulheres que tiveram entre dois e três filhos apresentaram indicadores biológicos considerados mais favoráveis quando comparadas aos grupos que tiveram muitos filhos ou que nunca engravidaram.

Outro ponto relevante envolveu a idade das gestações. Segundo a análise, os melhores resultados apareceram entre mulheres que tiveram filhos aproximadamente entre os 24 e os 38 anos.

Os pesquisadores ressaltam que a maternidade representa um processo de grande demanda física e metabólica para o organismo. Ao mesmo tempo, fatores sociais, econômicos e comportamentais também podem influenciar os resultados observados ao longo da vida.

O que é envelhecimento biológico

Quando falamos em idade, normalmente pensamos no número de anos desde o nascimento. A ciência, porém, utiliza outro conceito conhecido como idade biológica.

Enquanto a idade cronológica é igual para todas as pessoas nascidas no mesmo ano, a idade biológica procura medir o desgaste real do organismo. Duas pessoas com a mesma idade podem apresentar condições físicas e metabólicas bastante diferentes.

Para avaliar esse processo, os cientistas utilizam marcadores biológicos capazes de indicar como células e tecidos estão envelhecendo. Foi justamente esse tipo de análise que permitiu observar as diferenças encontradas no estudo finlandês.

Gêmeas ajudaram a fortalecer a pesquisa

Uma das características mais interessantes do trabalho foi a inclusão de mulheres gêmeas na amostra analisada. Essa estratégia permitiu aos pesquisadores reduzir parte da influência genética e observar com maior precisão a relação entre maternidade e envelhecimento.

Ao comparar mulheres com características genéticas semelhantes, a equipe conseguiu identificar tendências que poderiam passar despercebidas em outros tipos de pesquisa.

Segundo a epigeneticista Miina Ollikainen, uma das responsáveis pelo estudo, os resultados mostram que decisões e experiências vividas ao longo da vida podem deixar marcas biológicas duradouras, perceptíveis muitos anos depois.

O estudo não determina quantos filhos alguém deve ter

Os próprios autores fazem uma ressalva importante. A pesquisa identificou uma associação estatística, mas não comprovou uma relação direta de causa e efeito.

Isso significa que ter dois ou três filhos não garante maior longevidade, assim como ter muitos filhos ou nenhum não determina necessariamente um envelhecimento mais rápido.

Diversos fatores influenciam a saúde ao longo da vida, incluindo alimentação, prática de exercícios físicos, qualidade do sono, acesso a cuidados médicos, condições financeiras, histórico familiar e hábitos construídos ao longo dos anos.

O que essa descoberta acrescenta à ciência

O principal mérito da pesquisa está em ampliar o entendimento sobre como experiências de vida podem influenciar o organismo em longo prazo. A ciência do envelhecimento tem mostrado cada vez mais que fatores biológicos, ambientais e comportamentais atuam de forma conjunta.

Embora ainda existam muitas perguntas sem resposta, o estudo da Universidade de Helsinque reforça uma ideia que ganha força entre pesquisadores: envelhecer não depende apenas da genética. As escolhas feitas ao longo da vida também podem deixar marcas que acompanham o organismo por décadas.

 

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.