Por que algumas pessoas acreditam ver fantasmas mais do que outras
Psicólogos investigam fatores que podem aumentar a sensação de presenças, vultos e experiências consideradas sobrenaturais

Poucos temas atravessam tantas gerações quanto os relatos de fantasmas. Histórias sobre vultos, vozes misteriosas, presenças invisíveis e aparições continuam surgindo em diferentes culturas, religiões e épocas. Mesmo em um mundo dominado por tecnologia, inteligência artificial e ciência, milhões de pessoas afirmam ter vivido experiências que não conseguem explicar racionalmente.
O que chama atenção dos pesquisadores é que essas experiências não acontecem de forma igual para todos. Enquanto algumas pessoas relatam encontros frequentes com fenômenos considerados sobrenaturais, outras passam a vida inteira sem vivenciar nada parecido. A pergunta que intriga psicólogos há décadas é simples: por que algumas pessoas parecem mais propensas a enxergar ou sentir aquilo que outras nunca percebem?
O cérebro está sempre tentando encontrar explicações
Uma das teorias mais estudadas envolve a forma como o cérebro interpreta informações incompletas. O ser humano evoluiu para identificar rapidamente rostos, sons, movimentos e possíveis ameaças ao redor. Em algumas situações, essa habilidade pode levar a interpretações equivocadas.
Uma sombra em um corredor escuro, um ruído inesperado durante a madrugada ou um objeto visto rapidamente pela visão periférica podem ser interpretados pelo cérebro como algo muito diferente da realidade. Não significa que a pessoa esteja inventando ou mentindo. Muitas vezes, ela realmente acredita ter visto algo.
Pesquisadores chamam esse fenômeno de pareidolia, mecanismo que leva o cérebro a encontrar padrões familiares em estímulos vagos. É o mesmo processo que faz alguém enxergar rostos em nuvens, animais em manchas ou figuras em superfícies irregulares.
Ansiedade e estresse também influenciam
Outro fator frequentemente associado a relatos sobrenaturais é o estado emocional. Pessoas submetidas a períodos prolongados de estresse, ansiedade ou privação de sono podem apresentar maior sensibilidade a estímulos ambientais.
Em momentos de exaustão física e mental, o cérebro tende a interpretar informações de maneira diferente. Sons comuns podem parecer mais intensos. Ambientes familiares podem parecer estranhos. Pequenas percepções passam a ganhar significados mais amplos.
Especialistas ressaltam que isso não significa que experiências incomuns sejam necessariamente fruto da imaginação. O ponto central é que estados emocionais podem influenciar a forma como percebemos o mundo ao nosso redor.
A crença também desempenha um papel importante
Diversos estudos apontam que pessoas abertas a experiências espirituais ou sobrenaturais costumam prestar mais atenção a acontecimentos que poderiam passar despercebidos por outras pessoas.
Quem acredita na possibilidade de fenômenos paranormais tende a observar mais detalhes do ambiente, interpretar coincidências de maneira diferente e buscar significado em eventos aparentemente aleatórios.
Isso ajuda a explicar por que duas pessoas podem vivenciar a mesma situação e chegar a conclusões completamente distintas sobre o que aconteceu.
O fascínio pelos fantasmas continua vivo
Apesar dos avanços científicos, o interesse por histórias sobrenaturais permanece forte. Filmes, séries, livros, podcasts e documentários sobre fantasmas continuam entre os conteúdos mais consumidos do mundo.
Parte desse fascínio está relacionada ao desconhecido. Questões sobre consciência, memória, morte e percepção continuam despertando curiosidade tanto entre cientistas quanto entre pessoas comuns.
Entre os fatores mais frequentemente associados a relatos de experiências sobrenaturais estão:
• Ambientes escuros ou silenciosos
• Privação de sono
• Altos níveis de estresse
• Forte expectativa emocional
• Crenças espirituais prévias
• Interpretação de estímulos ambíguos
• Experiências traumáticas anteriores
Mais do que provar ou refutar a existência de fantasmas, a psicologia busca compreender por que determinadas experiências parecem tão reais para quem as vivencia. E talvez seja justamente essa combinação entre mistério, emoção e funcionamento da mente humana que mantém o tema vivo há tantos séculos.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.


