Tendências: naked dressing, wellness e party girl
Neste verão, falar em tendência única já não traduz o espírito da moda contemporânea feminina

A temporada é marcada por múltiplos caminhos estéticos: o naked dressing, o visual wellness e a energia da party girl convivem lado a lado, celebrando não apenas a pluralidade do vestir, mas a liberdade e autenticidade como valores máximos.
Silhuetas
A sensualidade do naked dressing promove silhuetas que exibem o corpo com naturalidade e orgulho, valorizando a transparência de tecidos, recortes estratégicos e novas propostas para tops e vestidos. O tule aparece em looks completos, a gaze cria efeito segunda pele e saias ousadas ganham espaço tanto nas passarelas de grifes globais como Valentino e Coperni quanto nas coleções brasileiras de marcas como Animale e Renner. A mensagem é clara: mostrar a pele é exercer autonomia, sem vulgaridade, sublinhando a diversidade dos corpos.
Autocuidado
Na direção oposta, o wellness veste o desejo de leveza um convite ao autocuidado, à funcionalidade e à vida real. Aqui reinam algodões orgânicos, cortes amplos, gamas neutras e uma elegância confortável que casa com a rotina no escritório híbrido, o descanso de final de semana ou mesmo o cotidiano urbano. Tops cropped de alças largas, vestidos de linho com caimento suave e pantalonas fluídas se tornaram o uniforme da mulher contemporânea plural, que valoriza bem-estar sem abrir mão do estilo.

Em paralelo, a estética party girl assina sua volta com brilho e exuberância. O resgate dos anos 2000 surge renovado: minissaias metálicas, tops de paetê, acessórios maximalistas e muita cor. A cena noturna urbana e os festivais viram palco de experimentação, comprovando que celebrar também é tendência e o glamour voltou com força, especialmente no closet da Geração Z.
No dia a dia, os estilos conversam: vestidos transparentes ganham um ar cool com tênis esportivos, conjuntos wellness somam acessórios festivos e o look “balada” pode facilmente abraçar peças do universo comfy. Ao invés de escolher, a mulher contemporânea mistura — e transforma a contradição em sua maior assinatura de estilo.
Paris Haute Couture Week e as Novas Regras do Workwear
Paris Haute Couture Week: espetáculo, inovação e inspiração global
A Semana de Alta-Costura de Paris permanece como referência máxima em criatividade, influência e espetáculo no calendário da moda. Nomes como Chanel, Schiaparelli, Dior, Valentino e Jean Paul Gaultier revisitariam técnicas artesanais e visualizam o futuro, levando às passarelas peças-escultura, bordados esculturais, volumes dramáticos e acessórios monumentais.
Mesmo com a intensificação do comércio digital, o desfile presencial segue sendo fonte insubstituível de emoção e desejo. Transmissões ao vivo e experiências imersivas democratizam o acesso à alta-costura, atraindo olhares de diferentes culturas e faixas etárias. No Brasil, estilistas e marcas nacionais buscam inspiração nas formas, paletas intensas e valorização do feito à mão, trazendo esses elementos para festas, casamentos e coleções especiais.
A assinatura dos desfiles franceses também ressoa em iniciativas locais como o São Paulo Fashion Week, que aposta na cenografia grandiosa e em inovações como tecnologias de realidade aumentada e eventos digitais híbridos, mostrando que a moda é arte, é indústria, é movimento.
Novas regras do workwear: nap dress, gravatas femininas e liberdade para criar

O ambiente profissional está se reinventando. Os antigos códigos rígidos cedem espaço para interpretações frescas e inclusivas sobre o que é vestir-se bem no trabalho. A alfaiataria ganha cortes orgânicos, tecidos com toque macio e mistura de peças consideradas “casuais” ao contexto corporativo.
O nap dress, vestido solto de algodão ou linho, virou símbolo do novo workwear: confortável, com detalhes românticos e fácil de adaptar para diferentes momentos do dia. Marcas como Sleeper, Cecilie Bahnsen, Farm Rio e Amaro apostaram na tendência, que conquistou adeptas no home office e em escritórios presenciais.
Outro destaque é a gravata. Agora, ela migra do guarda-roupa masculino e se reinventa em versões femininas: oversize, estampada ou minimalista, combinando com camisas, vestidos e blazers desconstruídos. O resultado são produções que equilibram tradição e inovação e refletem mais do que um dress code — evidenciam personalidade, criatividade e autenticidade no mundo corporativo brasileiro.
Com essas transformações, os profissionais se tornam protagonistas do próprio visual, misturando códigos, texturas e cores para ir além do padrão e afirmar identidade também no ambiente de trabalho.
Essas tendências mostram um mercado aberto ao novo e à mistura, sintonizado com os valores da autenticidade e da liberdade de escolha que marcam o espírito da moda em 2025.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.



