Tatuagem japonesa: livro mostra história e evolução do irezumi
Nova obra reúne mestres da tatuagem japonesa e resgata séculos de tradição ligados à arte corporal

A tatuagem japonesa voltou ao centro da cultura visual internacional com o lançamento de “The Japanese Tattoo: Fights and Fires Are the Flowers of Edo”, novo livro da jornalista e pesquisadora Manami Okazaki. A publicação reúne fotografias, entrevistas e registros históricos ligados ao irezumi, estilo tradicional japonês conhecido por tatuagens corporais de grande escala e forte simbologia cultural.
Lançado pela Prestel Publishing em 2026, o livro rapidamente passou a circular em veículos internacionais ligados à arte, moda, design e tatuagem. A obra também reacendeu o interesse pela história do irezumi e pela influência da estética japonesa na cultura contemporânea.

O irezumi atravessou séculos entre tradição e marginalização
A tatuagem tradicional japonesa possui origem ligada ao período Edo, iniciado no século XVII. Ao longo do tempo, o irezumi passou por diferentes interpretações dentro da sociedade japonesa. Em determinados períodos, esteve associado a trabalhadores urbanos, brigadas de incêndio e também à yakuza, organização criminosa japonesa.
O livro de Manami Okazaki explora justamente essa trajetória histórica:
- tradição artesanal;
- simbolismo visual;
- espiritualidade;
- cultura popular japonesa;
- marginalização social;
- influência internacional.
A publicação apresenta trabalhos de tatuadores tradicionais japoneses que mantêm técnicas transmitidas entre gerações. Em muitos casos, o aprendizado continua acontecendo de maneira extremamente rígida, com anos de observação antes da prática profissional.
Entre os elementos mais presentes no irezumi estão:
- dragões;
- carpas;
- flores de cerejeira;
- samurais;
- tigres;
- ondas;
- figuras budistas.
Os desenhos geralmente ocupam grandes áreas do corpo e são construídos como narrativas visuais contínuas, conectando movimento, equilíbrio e simbologia tradicional japonesa.
A estética japonesa voltou a influenciar tatuagem e moda
O crescimento global da estética japonesa ajudou a ampliar novamente o interesse internacional pelo irezumi. Referências visuais ligadas ao Japão passaram a aparecer com mais frequência em:
- streetwear;
- moda de luxo;
- design gráfico;
- fotografia;
- arte contemporânea;
- tatuagem autoral.
A própria trajetória de Manami Okazaki acompanha essa expansão cultural. Além de obras sobre tatuagem japonesa, a autora também publicou livros ligados à cultura kawaii, comportamento urbano e moda japonesa contemporânea.
O novo lançamento também reforça uma mudança importante dentro do universo da tatuagem atual: o crescimento do interesse por estilos tradicionais executados com maior pesquisa histórica e profundidade cultural.
Em apresentações recentes ligadas ao livro, Okazaki também destacou a relação histórica entre tatuagem japonesa e trabalhadores urbanos do período Edo, principalmente integrantes das antigas brigadas de incêndio japonesas.
O lançamento acontece em um momento em que a tatuagem deixa de ocupar apenas espaço estético e passa a aparecer cada vez mais ligada à arte, memória visual e patrimônio cultural.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.


