Rhodiola rosea: conheça 5 possíveis benefícios da chamada raiz de ouro
Planta medicinal é estudada por seus efeitos sobre fadiga, estresse e desempenho mental, mas evidências ainda são limitadas

Pouco conhecida do grande público, a Rhodiola rosea é uma planta medicinal também chamada de raiz dourada ou raiz de ouro. Originária de regiões frias e de grande altitude da Europa, Ásia e América do Norte, ela tem uma longa história de uso tradicional, especialmente na Rússia e em países escandinavos.
Nos últimos anos, a planta passou a chamar atenção de pesquisadores por seu possível efeito sobre fadiga, estresse, desempenho físico e funções cognitivas. Por isso, extratos de Rhodiola rosea são encontrados atualmente em cápsulas, comprimidos e outros suplementos alimentares.
Mas existe uma diferença importante entre uma planta tradicionalmente utilizada para determinado fim e um benefício comprovado pela ciência. O Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa dos Estados Unidos (NCCIH) afirma que ainda não há evidências confiáveis suficientes para determinar se a Rhodiola é útil para qualquer finalidade de saúde específica.
Isso não significa que os estudos sejam inexistentes. Pelo contrário: pesquisas clínicas já investigaram diferentes possibilidades de uso.
1. Pode ajudar no combate à fadiga
A redução do cansaço é um dos efeitos mais estudados da Rhodiola rosea. Uma revisão sistemática publicada no BMC Complementary and Alternative Medicine analisou 11 estudos clínicos sobre o uso da planta contra fadiga física e mental. Alguns trabalhos encontraram resultados positivos, mas os autores destacaram problemas metodológicos e classificaram a evidência como contraditória.
Outro ensaio clínico avaliou 60 pessoas com fadiga relacionada ao estresse e encontrou melhora em alguns indicadores de fadiga e atenção entre os participantes que receberam um extrato padronizado da planta.
Portanto, existe uma possibilidade de benefício, mas ainda não é correto afirmar que a Rhodiola seja um tratamento comprovado para o cansaço.
2. Pode ter relação com estresse e ansiedade
A Rhodiola também é estudada por seu possível efeito sobre a resposta do organismo ao estresse. A hipótese é que seus compostos possam influenciar mecanismos relacionados ao sistema de resposta ao estresse, razão pela qual a planta costuma ser classificada entre os chamados adaptógenos.
Uma revisão sistemática publicada em 2026, que avaliou evidências clínicas sobre Rhodiola rosea e Withania somnifera, encontrou resultados promissores relacionados a estresse, ansiedade, sono e desempenho cognitivo. Os próprios pesquisadores, entretanto, destacaram que os estudos apresentam amostras pequenas, períodos curtos de intervenção e diferenças importantes entre os métodos utilizados.
Assim, o possível efeito sobre o estresse é uma área de pesquisa, e não uma indicação para substituir tratamentos médicos ou psicológicos.
3. Pode influenciar atenção e desempenho mental
Outro campo de investigação é a capacidade de concentração. No estudo clínico realizado com pessoas que apresentavam fadiga relacionada ao estresse, o grupo que recebeu Rhodiola apresentou melhora em alguns testes de atenção quando comparado ao placebo.
Isso ajuda a explicar por que a planta é comercializada como suplemento voltado à disposição e ao desempenho mental.
Ainda assim, os resultados não permitem afirmar que a Rhodiola melhore a memória ou a concentração de qualquer pessoa. Uma revisão mais ampla também aponta que os resultados sobre funções cognitivas ainda precisam ser confirmados por pesquisas maiores e mais rigorosas.
4. Pode ter efeitos sobre o desempenho físico
A relação entre Rhodiola e atividade física também desperta interesse, principalmente entre pessoas que praticam esportes de resistência. A planta é tradicionalmente associada à melhora da resistência e da capacidade de lidar com a fadiga. Alguns estudos encontraram possíveis efeitos positivos sobre desempenho físico, mas os resultados não são consistentes.
A revisão sistemática sobre fadiga física e mental concluiu que parte dos estudos apresentou resultados favoráveis, enquanto outros não encontraram o mesmo efeito. Além disso, os pesquisadores ressaltaram limitações importantes na qualidade das evidências. Por isso, não é possível afirmar que a Rhodiola aumente a resistência de maratonistas, triatletas ou outros atletas de maneira comprovada.
5. É estudada por possíveis efeitos sobre o bem-estar
A combinação entre possíveis efeitos sobre fadiga, estresse e desempenho mental faz com que a Rhodiola seja investigada também em relação ao bem-estar geral.
No entanto, é justamente neste ponto que o cuidado com as informações disponíveis se torna ainda mais importante.
A planta não deve ser apresentada como tratamento para depressão, ansiedade, diabetes ou doenças cardiovasculares. O NCCIH ressalta que ainda não há evidências confiáveis suficientes para estabelecer a eficácia da Rhodiola para qualquer finalidade de saúde específica.
Por isso, quem apresenta sintomas persistentes de depressão, ansiedade, fadiga ou outros problemas de saúde deve procurar avaliação profissional em vez de substituir um tratamento por suplementos.
Rhodiola rosea emagrece ou controla o diabetes?
Não há evidência clínica suficiente para afirmar que a Rhodiola rosea seja capaz de controlar o diabetes ou promover emagrecimento. A alegação de que a planta reduz a glicemia e protege o coração, presente em muitos conteúdos sobre o suplemento, não pode ser tratada atualmente como benefício comprovado em seres humanos.
O mesmo vale para afirmações relacionadas à prevenção de doenças cardiovasculares, aumento da imunidade e tratamento de disfunção sexual. Essas propriedades podem aparecer em estudos experimentais ou em descrições de usos tradicionais, mas isso não significa que tenham eficácia clínica comprovada.
Como consumir a Rhodiola rosea?
A planta é encontrada principalmente em suplementos padronizados, como cápsulas e comprimidos. Não existe, porém, uma dose universal que possa ser indicada para todas as pessoas. A quantidade utilizada nos estudos varia de acordo com o tipo de extrato, concentração e objetivo da pesquisa.
Por isso, a recomendação de uma dose específica, como "100 a 600 mg por dia", sem informar qual extrato está sendo utilizado, pode ser enganosa. Também é importante lembrar que natural não significa necessariamente seguro.
Segundo o NCCIH, a Rhodiola parece ser possivelmente segura por períodos de até 12 semanas, mas pode provocar efeitos como tontura, dor de cabeça, insônia, boca seca ou salivação excessiva. Há ainda relato de interação com o medicamento losartana.
Pessoas que utilizam medicamentos, estão grávidas ou amamentando devem conversar com um profissional de saúde antes de utilizar produtos à base da planta.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.



