O que acontece no cérebro durante uma experiência paranormal, segundo a ciência
: Sensação de presença, vultos e vozes misteriosas intrigam pesquisadores há décadas

Quem nunca sentiu um arrepio ao entrar em um ambiente vazio, ouviu um barulho estranho durante a madrugada ou teve a impressão de que alguém estava observando sem que houvesse ninguém por perto? Experiências desse tipo alimentam histórias de fantasmas há séculos, mas também despertam o interesse da ciência.
Nos últimos anos, pesquisadores passaram a investigar o que acontece no cérebro quando uma pessoa acredita ter vivido uma experiência paranormal. O objetivo não é provar ou negar a existência de fenômenos sobrenaturais, mas compreender por que determinadas sensações parecem tão reais para quem as vivencia.
A sensação de presença que intriga cientistas
Uma das experiências mais relatadas por pessoas que acreditam ter encontrado fantasmas é a chamada "sensação de presença". Trata-se da impressão de que existe alguém próximo mesmo quando o ambiente está completamente vazio.
Estudos em neurologia mostram que essa percepção pode estar relacionada à forma como o cérebro processa informações sobre o próprio corpo e o espaço ao redor. Pequenas falhas temporárias nesse sistema podem gerar a sensação de que existe outra pessoa dividindo o ambiente.
O fenômeno já foi registrado em situações extremas, como expedições em montanhas, missões de sobrevivência e períodos de isolamento prolongado.
Por que vemos rostos e vultos onde eles não existem
Outra explicação frequentemente estudada envolve a pareidolia, mecanismo natural do cérebro humano.
A mente foi desenvolvida para identificar rapidamente rostos, movimentos e possíveis ameaças. Em consequência disso, acabamos enxergando padrões familiares em estímulos vagos.
É o que acontece quando alguém vê um rosto nas nuvens, uma figura humana em uma sombra ou um vulto em um ambiente pouco iluminado.
Segundo pesquisadores, esse processo ocorre de forma automática e faz parte do funcionamento normal do cérebro.
Falta de sono pode alterar a percepção
Dormir pouco também aparece com frequência em pesquisas relacionadas a experiências consideradas sobrenaturais.
A privação de sono pode aumentar a sensibilidade a sons, alterar a percepção visual e favorecer interpretações equivocadas de estímulos comuns.
Em casos mais extremos, pessoas submetidas a longos períodos sem descanso adequado podem apresentar experiências sensoriais incomuns, incluindo a sensação de ouvir vozes ou perceber presenças inexistentes.
Por isso, especialistas costumam considerar o sono um fator importante quando investigam relatos desse tipo.
O papel da ansiedade e do estresse
Estados emocionais intensos também influenciam a forma como interpretamos o mundo.
Durante períodos de ansiedade elevada, o cérebro permanece em estado constante de alerta. Como resultado, sons comuns, movimentos sutis e estímulos ambíguos podem ganhar significados muito maiores do que realmente possuem.
Esse mecanismo tem origem evolutiva. Ao longo da história humana, interpretar rapidamente possíveis ameaças aumentava as chances de sobrevivência.
Hoje, porém, esse mesmo sistema pode contribuir para experiências que parecem misteriosas quwe podem ocorrer no grandes cidades ou na natureza independete do horário.
A crença muda a forma de interpretar os acontecimentos
Pesquisas em psicologia mostram que crenças prévias influenciam diretamente nossa interpretação da realidade.
Pessoas abertas a explicações espirituais costumam prestar mais atenção a acontecimentos que outras ignorariam. Coincidências, ruídos inesperados e eventos incomuns tendem a receber significados diferentes dependendo da visão de mundo de cada indivíduo.
Isso ajuda a explicar por que duas pessoas podem viver exatamente a mesma situação e chegar a conclusões completamente distintas.
O fascínio pelo desconhecido continua vivo
Mesmo com os avanços da neurociência, o interesse por fantasmas permanece forte em praticamente todas as culturas.
Filmes, séries, documentários, livros e podcasts sobre fenômenos paranormais continuam atraindo milhões de espectadores. O sucesso desse tema mostra que a curiosidade humana sobre consciência, memória, percepção e morte continua tão viva quanto há séculos.
Talvez o maior mistério não seja a existência dos fantasmas, mas a capacidade da mente humana de criar experiências tão convincentes que parecem desafiar a própria realidade.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.


