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Martin Margiela: por que colecionadores estão pagando fortunas em roupas

Leilão dedicado ao estilista Martin Margiela mostra como peças de moda passaram a disputar espaço com obras de arte

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Martin Margiela
Martin Margiela: por que colecionadores estão pagando fortunas em roupas • Martin Margiela / reprodução

Uma jaqueta usada dificilmente seria vista como investimento pela maioria das pessoas. No entanto, algumas peças criadas décadas atrás estão alcançando valores que rivalizam com relógios raros, carros clássicos e obras de arte contemporânea. O fenômeno ganhou novo impulso após o anúncio de um leilão dedicado ao trabalho de Martin Margiela, estilista belga que se tornou uma das figuras mais influentes e enigmáticas da moda moderna.

O caso chama atenção porque vai muito além do universo fashion. O que está em jogo não é apenas roupa. Trata-se de raridade, história, cultura e desejo de colecionar objetos que marcaram uma época. Em um mercado onde exclusividade vale cada vez mais, determinadas peças deixaram de ser itens de vestuário para se transformar em patrimônio.

O estilista que mudou a forma de enxergar a moda

Martin Margiela nunca teve o perfil tradicional das grandes celebridades da moda. Durante décadas, evitou entrevistas, recusou aparições públicas e construiu uma carreira cercada por mistério.

Enquanto outros estilistas transformavam seus nomes em marcas pessoais, Margiela seguiu o caminho oposto. Seu trabalho passou a ser reconhecido não pela exposição pública, mas pela capacidade de desafiar conceitos estabelecidos dentro da indústria.

Foi ele quem ajudou a popularizar ideias que pareciam impensáveis para a moda de luxo. Costuras aparentes, roupas reconstruídas, materiais reaproveitados e modelagens desconstruídas passaram a fazer parte de suas coleções muito antes de essas práticas se tornarem tendência.

O resultado foi uma influência que atravessou gerações e ajudou a moldar a linguagem visual de muitos criadores contemporâneos.

Quando a roupa passa a contar uma história

O interesse crescente por peças antigas está ligado a um fator que vai além da estética. Colecionadores buscam objetos capazes de representar momentos específicos da cultura.

Uma peça criada por Margiela nos anos 1990 não é vista apenas como uma roupa. Ela funciona como registro de uma transformação importante dentro da moda internacional.

Esse comportamento se aproxima do que já acontece há décadas em mercados como o da arte, dos carros clássicos e dos relógios de coleção. O valor não está apenas no objeto, mas no contexto histórico que ele carrega.

Por isso, peças raras e bem preservadas tendem a despertar interesse crescente à medida que o tempo passa.

A moda entrou definitivamente no universo dos colecionáveis

Durante muito tempo, roupas foram tratadas como bens de consumo comuns. Hoje, algumas delas são disputadas por colecionadores, museus e investidores.

Leilões especializados passaram a registrar interesse crescente por criações de estilistas que ajudaram a redefinir a moda contemporânea. Nomes como Martin Margiela, Helmut Lang, Raf Simons e Yohji Yamamoto frequentemente aparecem em discussões sobre peças consideradas históricas.

A ascensão das redes sociais também contribuiu para esse movimento. Plataformas digitais ajudaram a conectar comunidades de colecionadores espalhadas pelo mundo e facilitaram a circulação de informações sobre raridades que antes ficavam restritas a nichos muito específicos.

O impacto da cultura sneaker

O mercado de tênis ajudou a abrir caminho para essa transformação. Durante os últimos anos, modelos limitados de marcas esportivas passaram a ser revendidos por valores muito superiores aos preços originais.

Esse comportamento ajudou a criar uma nova geração de consumidores acostumada a enxergar moda como ativo de valor. Aos poucos, o mesmo raciocínio começou a atingir jaquetas, camisetas, bolsas e peças de coleções históricas.

Hoje, muitos compradores não procuram apenas um produto. Procuram algo raro, difícil de encontrar e capaz de contar uma história.

Museus também ajudam a valorizar as peças

Outro fator importante é o reconhecimento institucional. Exposições dedicadas à moda ganharam espaço em alguns dos principais museus do mundo.

Quando uma peça passa a integrar acervos culturais ou exposições internacionais, ela deixa de ser vista apenas como vestuário. Passa a ser tratada como objeto de relevância histórica e artística.

Esse processo fortalece ainda mais a percepção de valor entre colecionadores e investidores.

O que explica essa valorização

Diversos fatores ajudam a impulsionar o mercado:

• Produção limitada das peças originais
• Importância histórica dos estilistas
• Estado de conservação dos itens
• Interesse de museus e instituições culturais
• Crescimento do colecionismo de moda
• Expansão das plataformas de revenda especializadas
• Influência das redes sociais e da cultura sneaker

Um mercado que continua crescendo

O leilão dedicado a Martin Margiela ajuda a mostrar que a moda atravessa uma transformação importante. Cada vez mais pessoas enxergam determinadas peças como objetos culturais capazes de preservar memórias, influenciar gerações e representar momentos marcantes da história criativa.

Para quem observa de fora, pode parecer estranho pagar uma fortuna por uma roupa antiga. Para os colecionadores, porém, o valor não está apenas no tecido, na etiqueta ou na marca. Está na história que aquela peça carrega e na possibilidade de possuir um fragmento de um momento que ajudou a transformar a moda mundial.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.