Hermès e o tempo como objeto: relógios em experiência

Alta relojoaria aos salões internacionais, a maison aposta no design como narrativa

Hermès e o tempo como objeto relógios em experiência

O tempo como linguagem da Hermès hoje

A Hermès segue tratando o tempo não apenas como medida, mas como experiência. Nos grandes salões internacionais de relojoaria, a maison francesa continua apresentando suas coleções dentro de espaços cenográficos que reforçam essa ideia. Mais do que mostrar relógios, a marca constrói ambientes onde luz, som e textura fazem parte do discurso visual.

Esse conceito não é novo dentro da Hermès, mas ganhou força nos últimos anos, especialmente com a forma como a marca passou a apresentar seus lançamentos em eventos globais de relojoaria. Em vez de estandes tradicionais, os visitantes encontram cenários pensados para criar sensação de pausa, contemplação e intimidade com o objeto.

Hermès e o tempo como objeto relógios em experiência

Arquitetura, arte e design como parte do produto

Projetos assinados por estúdios de arquitetura parceiros da Hermès costumam priorizar ambientes acolhedores e contemporâneos. A lógica é conduzir o visitante por uma jornada sensorial, na qual madeira, tecido, vidro e iluminação trabalham juntos para valorizar as peças.

Os relógios costumam aparecer em vitrines minimalistas ou cubos transparentes, enquanto salas mais reservadas permitem apresentações individuais das coleções. Em algumas edições, a marca ainda incorpora instalações artísticas interativas, reforçando a relação entre relojoaria, artes visuais e narrativa.

Essa estratégia aproxima o relógio de um objeto cultural, não apenas funcional.

A visão da marca sobre o tempo

Pierre Alexis Dumas, diretor artístico da Hermès, já definiu essa filosofia ao afirmar que a marca busca despertar uma relação mais leve e criativa com o tempo. Para ele, o relógio não serve apenas para medir horas, mas para criar vínculo emocional com quem o usa.

Essa visão explica por que a Hermès investe tanto na combinação entre artesanato, design e engenharia. Cada coleção nasce do domínio de diferentes técnicas, mas também da intenção de apresentar uma leitura mais serena do tempo, distante da ideia puramente técnica da relojoaria.

Modelos que marcaram a trajetória recente

Entre os relógios que simbolizam essa abordagem estão peças da linha Carré H e Arceau, conhecidas por unir precisão mecânica com linguagem visual forte. Esses modelos ajudam a consolidar a Hermès como uma marca que ocupa um espaço particular dentro da alta relojoaria, menos centrada na competição técnica e mais voltada à expressão estética.

Essa postura diferenciada faz com que a maison continue atraindo público nos grandes eventos do setor, onde o interesse não está apenas na mecânica interna das peças, mas na forma como cada relógio se conecta à identidade da marca.

A alta relojoaria como narrativa

Ao tratar o tempo como objeto e experiência, a Hermès mantém um caminho próprio dentro do universo da relojoaria de luxo. Em vez de disputar apenas inovação técnica, a marca investe na construção de significado.

Essa escolha ajuda a explicar por que suas apresentações continuam chamando atenção nos salões internacionais e por que seus relógios seguem sendo vistos não só como instrumentos, mas como peças que carregam história, design e intenção.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

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