Chá de funcho: veja benefícios, como fazer e os cuidados
Conhecido pelo sabor característico e pelo aroma adocicado, o funcho é usado na culinária e na fitoterapia

O funcho é uma planta aromática bastante conhecida na culinária brasileira. Suas folhas, talos e frutos secos podem ser utilizados em diferentes preparações, enquanto as sementes são popularmente associadas à chamada erva-doce. O sabor levemente adocicado e o aroma marcante também fazem da planta um ingrediente tradicional para o preparo de chás.
Além do uso culinário, o funcho, cujo nome científico é Foeniculum vulgare, faz parte da tradição da fitoterapia. A planta é estudada principalmente por seus efeitos relacionados ao sistema digestivo e às vias respiratórias. No entanto, nem todos os benefícios atribuídos a ela em receitas populares têm comprovação científica suficiente.
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) reconhece o uso tradicional de preparações à base de frutos de funcho para o alívio sintomático de desconfortos gastrointestinais leves, como gases e sensação de inchaço. A mesma avaliação considera seu uso tradicional como expectorante em casos de tosse associada a resfriados.
Por isso, o funcho pode fazer parte da rotina, mas é importante diferenciar aquilo que está relacionado ao uso tradicional daquilo que já foi comprovado em estudos clínicos.
Funcho ajuda na digestão?
O uso do funcho depois das refeições é bastante tradicional. A planta é associada ao alívio de gases, estufamento e desconfortos digestivos leves. Segundo a avaliação da EMA, preparações de frutos de funcho podem ser utilizadas tradicionalmente para o tratamento sintomático de queixas gastrointestinais leves, principalmente quando há espasmos, gases e sensação de inchaço.
A agência, entretanto, deixa claro que essa indicação se baseia principalmente no uso tradicional prolongado, e não em evidências clínicas robustas que permitam afirmar um efeito terapêutico definitivo.
Essa distinção é importante porque o fato de uma planta ser utilizada há muito tempo não significa que todos os efeitos atribuídos a ela estejam cientificamente comprovados.
O chá de funcho, portanto, pode ser uma bebida agradável para acompanhar uma refeição e faz parte de uma tradição de uso para desconfortos digestivos leves, mas não deve ser tratado como substituto para diagnóstico ou tratamento médico.
Funcho emagrece?
Essa é uma das principais promessas encontradas em conteúdos sobre a planta, mas não há evidência suficiente para afirmar que o funcho provoque emagrecimento. A bebida pode ter poucas calorias quando preparada sem açúcar e pode substituir refrigerantes, bebidas adoçadas ou outras opções mais calóricas. Nesse caso, a substituição pode fazer parte de uma alimentação equilibrada.
Isso, porém, é diferente de dizer que o funcho possui uma ação capaz de eliminar gordura corporal. Também é comum encontrar a afirmação de que o chá seria “diurético” e, por isso, ajudaria a emagrecer. Mesmo que uma bebida provoque maior eliminação de líquidos, isso não significa perda de gordura.
A redução temporária do peso causada pela eliminação de água não deve ser confundida com emagrecimento. Por isso, o funcho pode ser incluído em uma rotina alimentar equilibrada, mas não deve ser apresentado como chá emagrecedor.
Quais são os possíveis benefícios do funcho?
Além do uso tradicional para desconfortos digestivos, o funcho também é utilizado em preparações destinadas ao alívio da tosse associada a resfriados.
A EMA reconhece o uso tradicional dos frutos de funcho como expectorante nesses casos. A avaliação considera que determinados componentes da planta podem contribuir para esse efeito, embora a própria agência ressalte que a indicação é baseada principalmente na experiência tradicional de uso.
O funcho também contém compostos aromáticos como o anetol, que contribui para seu sabor e aroma característicos. Entretanto, a presença dessas substâncias não significa automaticamente que a planta seja capaz de tratar doenças.
Afirmações sobre redução de ansiedade, melhora do sono, tratamento de infecção urinária, proteção do fígado, combate à anemia ou controle da glicemia exigiriam evidências específicas e não devem ser apresentadas como benefícios comprovados do chá de funcho.
Chá de funcho: como preparar?
Uma forma simples de preparar a bebida é utilizar os frutos secos da planta, conhecidos popularmente como sementes.
A própria monografia da EMA apresenta, para adultos e adolescentes, uma preparação de 1,5 g de fruto de funcho em 250 ml de água fervente, com infusão durante aproximadamente 15 minutos. A monografia estabelece parâmetros específicos de uso para preparações medicinais padronizadas.
Em casa, a preparação pode ser feita colocando o funcho em água fervente e deixando a mistura em infusão antes de coar. O ideal é evitar o excesso de ingredientes e não transformar o chá em uma mistura com diversas plantas sem conhecer as possíveis interações entre elas.
Também não é necessário adoçar a bebida. Para quem aprecia o sabor natural do funcho, o chá pode ser consumido puro.
Funcho pode ser consumido por crianças?
Esse é um dos pontos que mais merece atenção. O texto tradicionalmente associado ao funcho costuma recomendar a bebida para bebês e crianças por causa de possíveis efeitos sobre cólicas e gases. Entretanto, as recomendações atuais são mais cautelosas. A monografia revisada da EMA não recomenda o uso de preparações medicinais de frutos de funcho em crianças menores de 4 anos sem orientação adequada.
Além disso, em 2025, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) abriu consulta sobre a avaliação dos riscos do estragol, composto naturalmente presente em preparações feitas com sementes de funcho.
A avaliação destacou preocupação especialmente com grupos vulneráveis, como bebês, crianças pequenas e fetos expostos durante a gestação. A EFSA informou que não foi possível estabelecer um nível seguro de exposição ao estragol com os dados disponíveis.
Por esse motivo, não é adequado recomendar chá de funcho para bebês, gestantes ou lactantes por conta própria. A mesma cautela vale para a antiga afirmação de que o funcho aumentaria a produção de leite materno. Não há base suficiente para apresentar esse efeito como garantido.
Cuidados antes de tomar o chá
Embora o funcho seja tradicionalmente utilizado e as preparações sejam geralmente bem toleradas, podem ocorrer reações alérgicas em pessoas sensíveis à planta. Também é importante diferenciar o consumo culinário do uso de preparações concentradas, extratos e óleos essenciais. Uma xícara de chá não deve ser tratada como equivalente a um produto concentrado.
Pessoas que utilizam medicamentos regularmente, têm alguma condição de saúde ou pretendem utilizar o funcho com finalidade terapêutica devem conversar com um profissional de saúde. O chá também não deve ser utilizado para adiar uma consulta quando sintomas como dor abdominal persistente, vômitos, tosse prolongada ou alterações digestivas recorrentes aparecem.
No fim, o funcho continua sendo uma planta versátil, tanto na cozinha quanto nas tradições de uso de plantas medicinais. Seu chá pode ser uma bebida aromática e agradável, especialmente após as refeições, mas os benefícios precisam ser apresentados de acordo com o nível real de evidência disponível.
Mais do que transformar o funcho em uma solução para emagrecer ou tratar diferentes doenças, vale aproveitar aquilo que ele oferece de forma segura: sabor, aroma e uma tradição de uso que a ciência continua investigando.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.



