Vorcaro teria ‘ocultado’ R$ 2,2 bilhões de clientes do Master em conta do pai
Movimentação foi citada pela Polícia Federal no pedido de prisão preventiva do banqueiro nesta quarta-feira (4)

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões dos credores do conglomerado liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. A informação consta no novo pedido de prisão preventiva do empresário formulado pela Polícia Federal, e autorizado nesta quarta-feira (4) na terceira fase da operação Compliance Zero.
Segundo o relatório da PF, no dia em que foi deflagrada a segunda fase da operação, em 14 de janeiro, foi bloqueada a quantia de R$ 2.245 bilhões com Henrique Vorcaro, pai do banqueiro do Master, em uma conta junto à gestora de fundos de investimento da Reag. A investigação aponta que a ocultação de recursos ocorreu mesmo após a primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
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“Nesse contexto, enquanto o Fundo Garantidor de Crédito sangrava para cobrir o rombo bilionário deixado pelo Banco MASTER no mercado financeiro, montante que alcança quase 40 bilhões de reais, DANIEL VORCARO ocultava de seus credores e vítimas mais de 2 bilhões de reais junto a empresa conhecida por lavar dinheiro das mais perigosas organizações criminosas do Brasil, conduta ilícita que se perpetuou mesmo após ter sido posto em liberdade”, disse o relatório.
A Reag era uma gestora que foi liquidada pelo Banco Central logo após a segunda fase da Compliance Zero, no dia 15 de janeiro. Contudo, essa não é a única polêmica envolvendo a empresa. No ano passado, ela foi alvo da Operação Carbono Oculto na Faria Lima, em São Paulo, que investigou o envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) em um esquema de fraudes no setor de combustíveis e o uso de fintechs para a lavagem de dinheiro.
Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro disse que as informações no relatório da Polícia Federal são “incorretas”. Os advogados entraram com um pedido urgente para ter acesso à documentação apresentada ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, para verificar eventuais equívocos no material utilizado.
Veja a nota de Henrique Vorcaro
A defesa de Henrique Vorcaro esclarece que são incorretas as informações divulgadas no sentido de que a conta mencionada na decisão do STF seja de sua titularidade.
Na busca por esclarecimentos, e diante da gravidade da menção e da repercussão gerada, a defesa requereu, em caráter de urgência, ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça acesso à documentação apresentada pela Polícia Federal que teria embasado essa afirmação, para verificar eventuais equívocos no material utilizado. Foi solicitado também acesso integral ao material probatório citado na decisão para garantir o acompanhamento do processo e a análise adequada das informações.
A defesa reafirma desconhecer a existência de qualquer conta e com tais valores e reitera ser imperativo que os fatos sejam devidamente esclarecidos. Entende-se a legítima preocupação com a reparação dos danos, mas ressalta ser essencial preservar a correção das informações divulgadas.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.




