Vereadores de BH prestam depoimento em investigação por uso ilegal de contrato de terceirizados
Suspeita do MP de Minas é que funcionários eram cedidos a parlamentares aliados do então presidente da Câmara

Pelo menos 15 vereadores e ex-vereadores de Belo Horizonte prestaram, nas últimas semanas, depoimentos ao Ministério Público Estadual pela utilização de funcionários terceirizados que, supostamente, foram contratados para um tipo de serviço mas, na realidade, não trabalhavam ou atuavam em outras áreas. A investigação mira um contrato com a empresa Projel Engenharia Especializada, feito pela Câmara Municipal em 2015, durante gestão do ex-presidente da Casa Wellington Magalhães.
O contrato da Câmara com a Projel foi assinado por R$ 7,2 milhões e previa a contratação de consultores terceirizados para atuarem nas dependências da Casa com salários que variavam entre R$ 2.250 e R$ 8.000. Só que, segundo a investigação do MPMG, esses servidores foram deslocados para trabalharem diretamente a gabinetes de parlamentares a partir da indicação de Wellington Magalhães - alguns são suspeitos de serem fantasmas e, outros, de atuarem em atividades pessoais dos políticos e campanhas eleitorais.
A coluna apurou, inclusive, que alguns destes servidores confirmaram, em depoimentos ao MPMG, que não atuavam diretamente no dia a dia de gabinetes de vereadores. Até aqui, a investigação foca na responsabilização pelo contrato feito por Magalhães e por técnicos da Casa.
Nas últimas semanas, prestaram depoimento ao MPMG os vereadores Henrique Braga, Juliano Lopes e Bruno Miranda e os ex-vereadores Autair Gomes, Joel Moreira, Tarcísio Caixeta, Coronel Piccinini, Preto, Gilson Reis, Adriano Ventura, Ronaldo Gontijo, Silvinho Rezende, Pelé do Vôlei, Lúcio Bocão. Eles receberam servidores terceirizados em seus gabinetes mas, nas oitivas, a maioria afirmou desconhecer o contrato feito com a Projel.
Uma das suspeitas do MPMG é que o contrato beneficiou, ou seja, só deu mais funcionários de gabinete, vereadores que seriam aliados de Wellington Magalhães. A tese é questionada por alguns ex-parlamentares. O petista Adriano Ventura, por exemplo, respondeu aos investigadores que integrava a oposição na época e, por isso, não tinha relação com Magalhães.
Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.
