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Temer lança documentário em BH e comenta episódios de sucesso e tensão em seu governo

Ex-presidente é tema do documentário “963 dias” que relata sua trajetória profissional e os quase três anos no Palácio do Planalto

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Michel Temer é tema de documentário • Reprodução

O ex-presidente Michel Temer (MDB) lançou nesta segunda-feira (24), em Belo Horizonte, o documentário “963 dias”. O filme retrata o período em que ele ocupou o Palácio do Planalto e narra a trajetória política pregressa do emedebista.

Dirigido por Bruno Barreto, o filme pode ser dividido em duas partes: o período da presidência de Temer e a trajetória até o momento que ele chega ao posto máximo do Executivo na República. O filme é construído a partir de relatos do próprio ex-presidente, de ex-ministros, parlamentares, jornalistas e cientistas políticos que atuaram próximos ao emedebista entre 2016 e 2018.

O documentário foca na gestão de Temer de forma elogiosa em relação às reformas trabalhista e da previdência, da Lei das Estatais e da proposta de emenda à Constituição (PEC) que criou o teto de gastos orçamentário.

A linha do tempo remonta momentos turbulentos do governo petista a começar pelo escândalo do mensalão durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e prossegue até a crise política e econômica que resulta no impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e a consequente ascensão de Temer. Todos ouvidos no documentário concordam com o teor político que culminou no impedimento, mas defendem a previsão constitucional do processo que derrubou a petista.

'Poderia manchar meu nome', diz Temer

Em entrevista após a sessão, Temer falou sobre a ideia de fazer o documentário e o processo de produzir um material histórico com seu ponto de vista sobre a história recente da política brasileira. Questionado sobre um esforço de melhorar a própria imagem, o ex-presidente negou a intenção, mas concordou que o filme tem esse efeito.

“Não foi essa a intenção, mas naturalmente aconteceu isso. Ao longo do documentário você percebe isso. Minha carreira toda foi feita na profissão, na advocacia, na procuradoria do estado, na carreira universitária, a minha filha até diz que a herança que eu deixarei para eles é o nome. Então aquele episódio dramático que está estabelecido no documentário poderia manchar o meu nome. Mas o objetivo principal do filme não foi esse, mas de deixar um documento para a história”, afirmou Temer ao recordar o episódio da repercussão de uma conversa gravada com o empresário Joesley Batista.

À época, o entendimento de que a conversa se tratava sobre o pagamento feito ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, em troca do silêncio do parlamentar acerca de escândalos de corrupção gerou a maior crise de reputação do Governo Temer. O documentário defende que a interpretação foi errônea e feita a partir de um áudio inconclusivo.

Temer também brincou sobre considerar que se tornou mais popular após seu período na presidência. “Eu costumo dizer que eu fui um presidente muito impopular, mas sou um ex-presidente popularíssimo. Certamente pelo que eu fiz no meu governo. Você vê que há um reconhecimento extraordinário. Houve muitas modificações, alguns tentaram modificar a reforma da previdência e o teto de gastos com prejuízo para o país, mas não foram efetivos. Eu acho que há um reconhecimento com o meu governo”, complementou.

Conversas com Joesley

Além da exaltação de feitos do Governo Temer, o documentário toca em pontos delicados de sua gestão, como os questionamentos e protestos contra o impeachment de Dilma, as manifestações contra a dissolução do Ministério da Cultura, as conversas com Joesley Batista, a pressão pela renúncia e a greve dos caminhoneiros.

Os participantes do documentário ainda criticam o cenário polarizado que sucedeu Temer, com a eleição de Jair Bolsonaro (PL). Com imagens dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, o filme reforça a ideia de Temer como um constitucionalista defensor da política institucional.

O ex-presidente está participando de estreias do documentário “963 dias” em capitais pelo país. Após o período das premières, o filme será disponibilizado via streaming. A produção ainda não informou em qual plataforma.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

 

 

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