STF forma maioria para condenar acusados de mandar matar Marielle Franco
Caso é julgado na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira (25)

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta quarta-feira (25), para condenar os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão – conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e ex-deputado federal, respectivamente – por ordenar o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, mortos a tiros em 14 de março de 2018.
Os ministros Cristiano Zanin e Cármen Lúcia seguiram o entendimento do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, que concordou parcialmente com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Ainda falta a manifestação do presidente do colegiado, Flávio Dino.
Para a maioria da Primeira Turma, ficou comprovado a motivação política para o crime, uma vez que Marielle teria ameaçado a influência dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão em áreas controladas por milícias.
Com isso, os ministros votaram pela condenação de Domingos Brazão, Chiquinho Brazão e Ronald Paulo Alves, ex-policial militar que teria monitorado a rotina da vereadora, pelos crimes de duplo homicídio qualificado, organização criminosa armada e tentativa de homicídio qualificado contra Fernanda Chaves, assessora de Marielle e única sobrevivente do caso.
Em relação a Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, ex-assessor do TCE-RJ e suspeito de intermediar contatos com milicianos, a Primeira Turma decidiu pela condenação por organização criminosa armada.
Já quanto a Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, os ministros decidiram pela absolvição em relação aos crimes contra a vida por falta de provas da participação dele nesses atos e apontaram que o delegado foi contratado para acobertar as mortes e garantir a impunidade.
Entretanto, Moraes propôs uma adequação jurídica da denúncia da PGR e votou pela condenação por corrupção passiva e obstrução de justiça, entendimento seguido pelos demais ministros.
Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.



