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Senado inicia debate sobre fim da escala 6x1 em semana de esforço concentrado

Com potencial de impacto na corrida eleitoral de 2026, proposta enfrenta resistência de setores empresariais e será submetida ao crivo dos senadores antes de chegar ao plenário

Por, Brasília
Escala 6x1: setores devem ser impactados pela PEC que quer mudar jornada de trabalho
Marcelo Camargo / Agência Brasil

A semana no Senado Federal deve marcar o início da tramitação da Proposta de Emenda a Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho e põe fim à escala 6x1. A expectativa é que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), discuta com líderes partidários, na reunião prevista para terça-feira (9), qual será o caminho da proposta aprovada pela Câmara dos Deputados.

O tema chega à agenda do Senado em meio ao esforço concentrado convocado por Alcolumbre entre os dias 8 e 12 de junho. Embora a prioridade formal da semana seja a análise da indicação do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para a corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a PEC da jornada de trabalho deve dominar parte das articulações políticas nos bastidores.

O texto está na mesa de Alcolumbre há mais de dez dias, mas ainda aguarda despacho. O presidente do Senado já avisou que a proposta não seguirá diretamente para votação em plenário e deverá passar por comissão antes de qualquer deliberação dos senadores.

A tendência é que a matéria seja encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde caberá ao presidente do colegiado, senador Otto Alencar (PSD-BA), escolher o relator. A definição do cronograma de tramitação deve ser um dos temas tratados pelos líderes nesta semana.

A PEC é considerada uma das principais apostas políticas do governo para o segundo semestre e foi aprovada pela Câmara com apoio do Palácio do Planalto e articulação do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). O texto reduz gradualmente a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial e estabelece dois dias de descanso por semana.

 

Apesar da pressão governista por uma tramitação acelerada, Alcolumbre tem sinalizado que o Senado pretende analisar a proposta sem pressa e não apenas referendar o texto aprovado pelos deputados. A posição abre espaço para mudanças na redação e para o aprofundamento do debate sobre eventuais impactos econômicos da medida.

O avanço da PEC também ocorre em meio à disputa de narrativas dentro do Congresso. Enquanto a base do governo tenta transformar a proposta em uma vitrine política para 2026, setores empresariais e parlamentares da oposição argumentam que a redução da jornada pode elevar custos de produção e afetar a geração de empregos.

Como contraponto, um texto alternativo já começou a tramitar no Senado. A proposta prevê remuneração por hora trabalhada e foi encaminhada por Alcolumbre à CCJ antes mesmo da chegada da PEC aprovada pela Câmara. Ainda assim, a expectativa é que a proposta do fim da escala 6x1 tenha prioridade na análise dos senadores.

Além da discussão sobre a jornada de trabalho, a semana será marcada por sessões presenciais e pela tentativa da presidência do Senado de garantir quórum elevado para votações. Alcolumbre convocou os parlamentares para comparecerem à Casa durante o esforço concentrado, após ter sido obrigado a adiar, em maio, a análise da indicação de Benedito Gonçalves por falta de participação suficiente dos senadores.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio