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Secretário detalha retomada das obras da Praça das Águas, paralisadas por suspeita de corrupção na gestão Kalil

Projeto crucial para o controle de cheias no Córrego Cachoeirinha volta a ser executado após passar por nova licitação e auditoria por fraudes contratuais em gestão Kalil

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Obra de recapeamento entre a Av. Pedro II e a Av. Carlos Luz, faixa da direita
Obra da Praça das Águas, em Belo Horizonte • BHTrans/ reprodução

Uma obra importante para o Vetor Norte de Belo Horizonte, chamada de Praça das Águas, funciona como um reservatório e um ajuste de fluxo do Ribeirão Pampulha e do Córrego Cachoeirinha. A ação teve licitação publicada em 2021, na gestão do ex-prefeito Alexandre Kalil, com ações iniciadas em 2022.

Em 2025, quando assumiu o Executivo municipal, o atual prefeito Álvaro Damião disse ter recebido da Superintendência de Desenvolvimento da capital (Sudecap) relatórios que apontavam supostas irregularidades dos contratos. Damião disse que remeteu a documentação à Justiça quando se iniciou uma investigação.

No mês de setembro do mesmo ano, a obra foi paralisada e, em novembro do mesmo ano, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) desencadeou uma operação que investigava crimes de fraude em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva e atos de improbidade administrativa.

Essa investigação segue em curso. Ao todo, 20 mandados de busca e apreensão foram deflagrados no ano passado. Os nomes das pessoas envolvidas não foram divulgados.

Nesta semana, as obras foram retomadas após o lançamento de uma nova licitação. O secretário de Obras da Prefeitura de BH explicou o andamento das ações:

"Acho que temos que puxar lá no início, em 2025, quando o prefeito Álvaro Damião solicitou que nós fizéssemos uma auditoria em alguns contratos. A gente fez essa auditoria, apresentamos para ele e imediatamente deu a ordem de apresentar ao Ministério Público. Fizemos isso durante o ano de 2025, e a obra foi paralisada há um ano. As investigações estão sendo conduzidas pelo Ministério Público. A nossa participação é em fornecer todas as informações que foram pertinentes ao processo. Desde novembro do ano passado, as equipes técnicas da Sudecap trabalharam para remodelar o contrato, orçar novamente, ver o que estava faltando para concluir a obra", declarou Leonardo José Gomes Neto.

A obra, que foi retomada nesta semana, deve ter sua funcionalidade concluída no final do ano que vem, e todas as ações de trânsito e de paisagismo prontas até junho de 2028. O investimento é superior a R$ 45 milhões.

O prefeito Álvaro Damião comemorou a retomada das obras: "Quando eu entrei na prefeitura, em janeiro do ano passado, os técnicos da Sudecap, da Secretaria de Obras, me apresentaram algumas documentações que mostravam indícios de corrupção nessa obra. Sabe o que eu fiz no mesmo dia? Falei com eles: "Pega tudo isso aqui e leva pro Ministério Público'. Nós não temos compromisso com corrupção de ninguém", afirmou.

"E ali começou todo o trabalho da Justiça para poder analisar se realmente existia ou não corrupção nessa obra aqui, que é o Parque das Águas. E nós tivemos que ficar parados durante esse tempo, enquanto a Justiça fazia a análise dela, obedecendo à Justiça. Só que conseguimos com a Justiça que, enquanto ela faz todas as análises que tem que fazer, nós possamos continuar a obra. Hoje eu estou aqui, dia 13 de outubro, para dizer que a obra vai recomeçar e que eu entrego essa obra dentro do meu mandato. Não fui eu que prometi, mas sou eu que estou fazendo", finalizou o prefeito.

À reportagem, a assessoria do ex-prefeito Alexandre Kalil se pronunciou, por meio de uma nota: "Curiosamente, todos os problemas de corrupção na Prefeitura de Belo Horizonte, da Secretaria de Educação à Secretaria de Obras, começaram após a minha saída", escreveu.

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