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Lula envia carta a evangélicos e destaca ações do governo para atender demandas do segmento

Presidente busca diálogo com evangélicos para aumentar a aceitação entre o eleitorado em que Flávio Bolsonaro lidera intenções de voto; mensagem foi divulgada nas redes sociais e fala sobre fim das bets, mudança na escala 6x1 e compromisso com as famílias

Por, Brasília
O presidente e candidato a releição Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Lula durante ato de campanha em Belo Horizonte • Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou uma carta direcionada às famílias evangélicas brasileiras,  nesta quarta-feira (14), por meio das redes sociais da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. Na mensagem, o candidato à reeleição destaca o combate às apostas online, a defesa do fim da escala 6x1 e o compromisso com a segurança pública, pautas que são apontadas como preocupação deste eleitorado.

A iniciativa ocorre há 11 dias das eleições do segundo turno, em um momento que o presidente é apontado na pesquisa Quaest, divulgada em 28 de setembro, sobre o tema com 27% da preferência deste eleitorado. Enquanto Flávio Bolsonaro aparecia com 46% das intenções de voto.

Na carta, apesar de serem usadas referências religiosas, o petista reconhece que não é evangélico. Porém, ele afirma que respeita todas as religiões, que sua trajetória política foi marcada pela fé e destaca a proteção das famílias como um compromisso comum.

"Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é, assim como tenho por todas as religiões e profissões de fé. Tenho absoluta certeza de que, se não fosse a boa mão de Deus, eu nem teria saído vivo das várias batalhas que enfrentei", declarou.

Lula relembra sua trajetória familiar, cita a criação ao lado da mãe, Dona Lindu, e relaciona propostas de seu governo à proteção das famílias brasileiras no documento. Entre os compromissos destacados estão:

  • Combate às bets: o presidente afirma que as apostas online estão destruindo famílias e destaca as medidas adotadas pelo governo para enfrentar o problema;
  • Fim da escala 6x1: defende dois dias de descanso semanal para que os trabalhadores tenham mais tempo com a família, para o lazer e para frequentar a igreja;
  • Segurança pública: promete intensificar o combate ao crime organizado, proteger crianças, adolescentes e enfrentar a violência;
  • Proteção às mulheres: reafirma o compromisso com políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres;
  • Saúde e renda: defende melhorias na saúde pública, aumento real da renda e do poder de compra das famílias;
  • Liberdade religiosa: afirma respeitar todas as crenças e rejeita acusações de que seu governo estaria comprometido com o fechamento de templos religiosos;
  • Meio ambiente: relaciona a preservação da natureza à proteção da criação divina.

Lula também afirma que pretende ouvir as demandas do segmento por segurança, mudanças e prosperidade. Como sinal de respeito, o presidente encerra a carta pedindo que os evangélicos busquem orientação espiritual para terem "discernimento" antes de votar.

"Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição", escreveu.

Em junho, o PT havia divulgado uma carta destinada aos evangélicos e destacou ter uma postura de "respeito e reconhecimento" às igrejas.

Leia a carta na íntegra:

"Carta de Luiz Inácio Lula da Silva às Famílias Evangélicas Brasileiras

Queridas famílias evangélicas do Brasil,

Resolvi escrever a vocês com o coração aberto, cheio de verdade, pois os cristãos com quem tenho dialogado estão me ensinando que a Bíblia nos orienta a “seguir a verdade em amor.” Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é, assim como tenho por todas as religiões e profissões de fé. Temos uma coisa em comum: o compromisso de cuidar das famílias brasileiras, pois somente lares fortes podem produzir uma nação forte!

Aprendi dentro de casa o valor do trabalho, resistindo bravamente com minha mãe, Dona Lindu, para criar uma família com sete irmãos. Com essa base familiar sólida, aprendi a amar e a lutar para transformar a realidade. É nesse chão que a minha história se encontra com a história de vida e de fé da sua família. Entrei para a política com esse compromisso em meu coração: ajudar a mudar as condições de vida das famílias pobres e batalhadoras.

Numa longa e difícil jornada, me tornei Presidente do Brasil por três vezes. Agora, disputo o quarto mandato. Cheguei até aqui com a proteção divina, orientado por um propósito e missão. Tenho absoluta certeza de que, se não fosse a boa mão de Deus, eu nem teria saído vivo das várias batalhas que enfrentei. Guiado por Ele estou aqui, mais uma vez, fazendo a defesa das famílias brasileiras com ações concretas, como tenho feito ao longo de toda a minha jornada política, e não com discursos vazios, como muitos outros fazem. As famílias são a base do Brasil que queremos.

Dentre as várias ações do meu governo que abençoam suas famílias, relembro a vocês, por exemplo, o combate às apostas online, as Bets, que estão destruindo tantos lares, e meu empenho para que todos tenham dois dias de descanso semanal, pois a vida não se resume ao trabalho. As pessoas precisam de mais tempo para descansar, ter lazer e estar em casa com os seus, fortalecendo os vínculos familiares. Para o povo evangélico, isso garante, inclusive, mais tempo para estar na igreja em comunhão com os irmãos e em adoração.

Sigo também empenhado em proteger as mulheres, combater todos os tipos de violência e o crime organizado com inteligência: prender os bandidos, proteger as nossas crianças e adolescentes e poupar as vidas inocentes.

Jamais poderão nos acusar de estarmos comprometidos com políticas que destroem vidas, que fecham templos ou que não demonstrem respeito, como Jesus nos ensinou, que devemos amar a todas as pessoas.

Precisamos avançar mais, precisamos amar mais! Até aqui, ajudei a arrumar a nossa casa, o Brasil. Mas sei que ainda há muito a ser feito. Estou escutando o clamor legítimo e urgente de vocês por mudanças, por segurança, por futuro e prosperidade.

Estou comprometido com a melhoria da saúde pública, para que sua família fique bem cuidada; com o aumento real da renda, com poder de compra; e com a preservação da natureza criada por Deus. O Brasil é nosso! Eu vou escutar e atender aos anseios de vocês.

Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição. Vá às urnas com a consciência livre e com a aliança renovada com o nosso amado Brasil.

Com gratidão por sua atenção e generosa leitura, conto com suas orações e sigo olhando firmemente para a esperança da vitória e de um Brasil mais justo, respeitoso e com oportunidades para todos."

Por

Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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