Belo Horizonte
Itatiaia

Saiba o que é a Abin paralela, alvo de investigação da PF que mira Carlos Bolsonaro e Ramagem

Operação da Polícia Federal nesta segunda-feira (29) teve como alvo principal o vereador Carlos Bolsonaro

Por
Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) são alvo de investigação da Polícia Federal (PF) • Antonio Cruz | Agência Brasil

A operação da Polícia Federal (PF) contra o vereador Carlos Bolsonaro nesta segunda-feira (29) ocorre no âmbito da investigação sobre a Abin paralela. O inquérito instalado pela corporação analisa o uso de um programa espião da Agência Brasileira de Investigação (Abin) para espionar ilegalmente autoridades, jornalistas e adversários políticos de Jair Bolsonaro (PL), à época presidente da República. Segundo relatórios preliminares da Polícia Federal, servidores da agência monitoraram milhares de pessoas durante a gestão de Alexandre Ramagem — hoje deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro — na direção da Abin.

A operação acontecia sem a permissão judicial necessária para monitorar os celulares das vítimas. Há indícios de que entre os espionados estão Rodrigo Maia, então presidente da Câmara dos Deputados, Joice Hasselmann, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e o então governador do Ceará Camilo Santana — hoje ministro da Educação.

Bebianno. Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, afirmou em entrevista ao programa Roda Viva, em março de 2020, que Carlos Bolsonaro estava interessado em arquitetar uma Abin paralela — foi, aliás, a primeira vez que o termo apareceu. “Um belo dia, o Carlos me aparece com o nome de um delegado federal e de três agentes que seriam uma Abin paralela, porque ele não confiava na Abin. O general Heleno [ministro do Gabinete de Segurança Institucional, GSI, de Jair Bolsonaro] foi chamado, ficou preocupado com aquilo. Mas, o general Heleno não é de confronto. A conversa acabou comigo e com o Santos Cruz [à época ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro]. Aconselhamos ao presidente que não fizesse aquilo. Aquilo também seria motivo para impeachment. Depois eu saí. Não sei se foi instalado ou não”, disse Bebianno.

Participe do canal da Itatiaia no WhatsApp e receba as principais notícias do dia direto no seu celular. Clique aqui e se inscreva.

Por

Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.