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Roberto Freire diz que saída do comando do Cidadania é ‘irrevogável’

Na presidência do partido há cerca de 30 anos, ele deixou o posto neste sábado (9)

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Roberto Freire comandava o Cidadania, outrora chamado de PPS, desde a fundação da sigla
Roberto Freire comandava o Cidadania, outrora chamado de PPS, desde a fundação da sigla • José Cruz/Agência Brasil

Na carta em que comunica a saída da presidência nacional do Cidadania, o ex-ministro Roberto Freire diz que sua decisão é “irrevogável”. Ele apresentou o pedido de licença do cargo à direção da legenda neste sábado (9). Como já mostrou a Itatiaia, o movimento de Freire fez com que a cúpula do partido resolvesse eleger Plínio Comte Bittencourt para presidir a agremiação.

“Comunico minha saída da direção nacional. Desnecessário dizer que é irrevogável. Encerro, assim, uma longa vida neste partido, o único desde o PCB nos idos de 1962 do século passado. Com a certeza de ter contribuído para sua bela história, de forma honrada e digna, saio ressaltando os homens e mulheres que deram a vida e respeito ao partido. Penso ter honrado a todos eles, travando o bom combate até o fim”, diz Freire, em trecho do documento.

Depois que Freire apresentou a solicitação de licenciamento, a Executiva do Cidadania passou a debater os rumos a serem tomados.  A maioria das lideranças decidiu pelo afastamento definitivo dele, com a realização imediata de uma eleição para definir um novo comandante até o fim do mandato do antigo presidente. Nesse contexto, aconteceu a opção por Bittencourt.

Durante as conversas, houve quem defendesse a permanência de Roberto Freire como presidente licenciado, desde que outro nome do Cidadania assumisse as funções inerentes ao cargo. A ideia, porém, acabou rejeitada.

“Fui leal aos meus princípios, aos princípios do partido e à nossa história, que, espero, não consigam desonrar. Aos amigos e companheiros leais de luta, que se somaram a mim nesse esforço, meu respeito e minha gratidão”, continua, no ofício, o agora ex-presidente.

A saída de Roberto Freire implica, também, em mudança na vice-presidência nacional do Cidadania, que não será mais ocupada pelo ex-deputado federal Daniel Coelho (PE). 

A crise no Cidadania tem, como pano de fundo, a decisão do diretório nacional do partido de declarar apoio ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há, no partido, deputados à direita que têm defendido posição de independência em relação ao Palácio do Planalto

Do PCB ao PPS

Roberto Freire começou a carreira política como comunista. Ele disputou a Presidência da República pelo PCB em 1989, na primeira eleição direta desde a redemocratização do país. 

Nos anos 1990, participou de uma dissidência do PCB que deu forma ao Partido Popular Socialista (PPS). Em 2019, a legenda mudou de nome para Cidadania. Com o passar dos anos, o partido, que começou com ideias à esquerda, foi caminhando para o centro do espectro político.

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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.