PT adia implementação de regra interna que pode barrar metade da bancada mineira na Câmara
Regra que limita número de mandatos consecutivos de petistas foi aprovada pela sigla em 2011, mas sua implementação foi adiada para depois de 2026

O diretório nacional do PT decidiu adiar a implementação de uma regra incluída em seu estatuto há mais de 10 anos que limitava a quantidade de mandatos de filiados em cargos no Poder Legislativo.
De acordo com o artigo 141 do estatuto da sigla, “não poderá se apresentar como pré-candidato ou pré-candidata para postular o mesmo cargo, o parlamentar que já tiver sido eleito para três mandatos consecutivos na mesma Casa Legislativa”. O texto ressalta que, para uma cadeira no Senado, os petistas ficam impedidos de tentar um terceiro mandato.
A regra foi aprovada no 4º Congresso Nacional do PT, em 2011, e tinha como objetivo garantir a renovação das bancadas do partido. Na segunda-feira (10), em reunião da Executiva, os dirigentes decidiram que a regra não deve ser implementada nas eleições de 2024 ou 2026, o que poderia barrar quase metade das candidaturas de vereadores petistas no ano que vem.
Em Minas
Entre os deputados mineiros do PT, se a regra estivesse valendo, quase metade da bancada na Câmara dos Deputados. Dos 10 parlamentares eleitos pelo PT em Minas, dois estão no sexto mandato - Odair Cunha e Reginaldo Lopes -, dois estão no quarto mandato - Leonardo Monteiro e Padre João -, e o deputado Patrus Ananias se elegeu para o terceiro mandato consecutivo ano passado (seu primeiro mandato na Câmara Federal foi entre 2003 e 2007).
Na Assembleia Legislativa, a regra poderia ter barrado no ano passado o deputado Ulysses Gomes, atual líder da oposição, que está em seu quarto mandato. Outros dois deputados - Jean Freire e Cristiano Silveira - poderiam ficar impedidos de disputar uma nova vaga no Legislativo estadual em 2026.
A reportagem da Itatiaia procurou todos os deputados do PT que poderiam ser afetados pela regra prevista no estatuto do partido, mas eles preferiram não comentar ou não responderam sobre a decisão do diretório nacional.
Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.
