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Por que o governo declarou guerra às bets no novo Desenrola?

Durante o anúncio, o presidente Lula enfatizou que a medida visa proteger a economia doméstica

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Medida foi anunciada por Lula nesta quinta-feira (30)
Medida foi anunciada por Lula nessa quinta-feira (30) • Reprodução / Vídeo

O governo federal oficializa na próxima segunda-feira (4), o lançamento do Novo Desenrola Brasil, trazendo uma regra inédita para combater o ciclo de endividamento no país: quem aderir à renegociação ficará impedido de utilizar plataformas de apostas online, as chamadas "bets", pelo período de um ano. A medida foi antecipada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante pronunciamento em alusão ao Dia do Trabalhador, realizado na última quinta-feira, 30 de abril.

A decisão surge como uma resposta direta à crise de inadimplência, que hoje atinge 81,7 milhões de brasileiros. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o gasto mensal com apostas saltou 500% nos últimos três anos. Apenas em março de 2026, o volume movimentado superou os R$ 30 bilhões. O estudo da CNC revela um cenário preocupante, onde o dinheiro destinado aos jogos não provém de sobras orçamentárias, mas sim do desvio de recursos de contas essenciais. Esse fenômeno retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista entre 2023 e março deste ano.

Durante o anúncio, o presidente Lula enfatizou que a medida visa proteger a economia doméstica, destacando que não é justo que as mulheres tenham que trabalhar dobrado para cobrir dívidas de jogo contraídas pelos maridos. O perfil identificado pela CNC como o mais vulnerável ao endividamento por "bets" é composto majoritariamente por homens, pessoas com 35 anos ou mais e famílias de baixa renda. "O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet", afirmou o mandatário.

Além do bloqueio temporário aos jogos de azar, o Desenrola 2 apresenta condições agressivas para facilitar a quitação de débitos. Os novos termos incluem descontos que variam de 30% a 90% e taxas de juros limitadas a no máximo 1,99%. Estão abrangidas na negociação dívidas de cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e pendências com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Uma das grandes novidades desta fase é a autorização para que o trabalhador realize o saque de até 20% do saldo do FGTS exclusivamente para o pagamento dessas dívidas.

A expectativa do Ministério da Fazenda é dar continuidade ao sucesso da primeira etapa do programa, que permitiu a negociação de R$ 53,2 milhões em dívidas, beneficiando cerca de 15 milhões de famílias. O detalhamento completo das regras e as estimativas oficiais de alcance serão apresentados no evento oficial de lançamento.

Com informações de Estadão Conteúdo

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