PF unifica investigações sobre Lulinha e pede mais prazo ao STF para aprofundar apurações
Polícia Federal reúne em um único inquérito todas as informações sobre suposto tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva; diligências incluem análise de viagens, movimentações financeiras e relações com investigados

A Polícia Federal decidiu reunir em um único inquérito todas as investigações relacionadas ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida tem como objetivo organizar as informações já coletadas e acelerar o andamento das apurações sobre suposto tráfico de influência no governo federal.
Além da unificação dos procedimentos, a PF solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação do prazo de 60 dias para dar continuidade às investigações, alegando que ainda há diligências em andamento.
De acordo com a Polícia Federal, os elementos reunidos ao longo das investigações estavam distribuídos em diferentes procedimentos. A decisão foi concentrar todo o material em um único inquérito, conhecido internamente como "caso Lulinha".
As investigações tiveram origem na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Durante a apuração, a PF encontrou elementos que levaram à abertura de novos procedimentos envolvendo Lulinha.
Segundo a corporação, mensagens, documentos e informações obtidas após a quebra do sigilo bancário do empresário deram origem a investigações específicas sobre suposto tráfico de influência.
Relação com Roberta Luchsinger e Careca do INSS
Entre os principais focos da investigação está a atuação da empresária Roberta Luchsinger, apontada pela Polícia Federal como lobista responsável por intermediar interesses de empresas junto ao governo federal. Segundo os investigadores, Lulinha teria atuado para facilitar o acesso desse grupo a órgãos públicos.
Outro personagem citado na investigação é o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Conforme a PF, ele manteve sociedade com Lulinha em uma empresa do setor de cannabis medicinal e realizou viagens com o empresário, incluindo um deslocamento para Portugal.
Como parte das diligências, a Polícia Federal pretende levantar informações detalhadas sobre todas as viagens nacionais e internacionais realizadas por Lulinha, identificando quem custeou passagens, hospedagens e demais despesas, além de analisar movimentações financeiras relacionadas aos investigados.
Defesa critica novas diligências
Em nota, a defesa de Lulinha afirmou que o pedido de prorrogação representa uma "fishing expedition", expressão utilizada no meio jurídico para se referir à busca indiscriminada por provas sem elementos concretos que justifiquem a investigação.
Os advogados sustentam que, mesmo após a quebra do sigilo bancário autorizada pelo STF, não foram encontrados indícios que justificassem a continuidade das apurações.
O caso permanece sob relatoria do Supremo Tribunal Federal e aguarda decisão sobre o pedido da Polícia Federal para ampliar o prazo das investigações.
Segundo as apurações, uma das linhas investigativas busca esclarecer a informação prestada por uma testemunha de que Lulinha teria recebido pagamentos mensais de R$ 300 mil por intermédio da empresária Roberta Luchsinger, em suposta relação com Antônio Carlos Camilo Antunes. A Polícia Federal ainda apura a veracidade dessas informações e a eventual existência de tráfico de influência junto a órgãos do governo federal.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.



