Lula cita viradas do Galo, convoca ‘exército de Janones’ e ataca Flávio Bolsonaro em BH
Durante ato no Centro de Belo Horizonte, presidente recorreu ao grito de ‘eu acredito’ da torcida atleticana, convocou militantes para mobilização nas redes sociais e chamou adversário de ‘miliciano’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, recorreu à história do Atlético para convocar apoiadores a uma mobilização na reta final do segundo turno das eleições presidenciais. Durante ato com milhares de pessoas entre as praças da Estação e Raul Soares, no Hipercentro de Belo Horizonte, nesta quarta-feira (21), o petista relembrou viradas históricas do clube alvinegro e pediu que os mineiros adotem o grito de “eu acredito” em sua campanha.
Lula mencionou os confrontos do Galo contra Corinthians e Flamengo na Copa do Brasil de 2014, quando o time mineiro venceu ambos os rivais por 4 a 1 de virada, para defender que seus eleitores mantenham a confiança na vitória eleitoral entre os turnos na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Acreditei no grito que a torcida do Atlético Mineiro tava aqui em Minas Gerais. O Atlético precisava fazer quatro gols no Corinthians. E no estádio, a torcida do Atlético começou a gritar: ‘Eu acredito, eu acredito’. E o Atlético ganhou de 4 a 3 do Corinthians. O outro jogo foi com o Flamengo. O Atlético precisava marcar quatro gols no Flamengo, acho que tinha perdido de três. E quando o Flamengo entrou em campo, a torcida do Atlético começou a gritar: ‘Eu acredito, eu acredito’. E o Atlético ganhou de 4 a 3 do Flamengo. Agora a torcida de Minas Gerais, a torcida de Belo Horizonte vai gritar: ‘Lula, eu acredito’”, disse ao passar pela Avenida Amazonas e convocar os apoiadores a entoar o grito.
A campanha de Lula tem apostado em grandes mobilizações populares nas ruas na tentativa de uma inédita virada na votação do segundo turno presidencial. Flávio Bolsonaro terminou na frente no primeiro turno com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% do petista e uma vantagem de 2,2 milhões de eleitores. Em Minas Gerais, o candidato do PL também ficou na frente, com 588 mil votos de margem.
Lula convoca “exército de Janones”
Em outro momento do discurso, Lula convocou os apoiadores a integrarem uma mobilização digital comandada pelo deputado federal André Janones. O presidente chamou o parlamentar de “general” e afirmou que pretende participar pessoalmente da iniciativa, que classificou como um exército de militantes.
O petista disse ter recebido um aparelho celular do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e estabeleceu como meta reunir 10 milhões de pessoas no grupo de WhatsApp “Exército do Lula” até quinta-feira (22).
“Eu queria dar um recado para o general Janones que está no carro de trás. Eu nunca tive um celular, agora eu ganhei um celular do governador do Piauí. A partir de amanhã vou ter um celular e vou fazer parte do Exército do Lula. E quero convidar a todos vocês a entrarem no nosso exército para chegarmos a 10 milhões até quinta-feira”, declarou.
Lula também se autodenominou “marechal” e comparou a militância de sua campanha às forças vietnamitas que enfrentaram os Estados Unidos na Guerra do Vietnã.
“O general Janones e o marechal Silva, que sou eu, vamos comandar essa derrota do exército adversário. Pode ficar tranquilo. Eles pensam que somos fracos, mas somos igual ao exército do Vietnã, que derrotou os Estados Unidos. Somos um exército composto por mulheres e homens brasileiros”, disse o petista
Ataques a Flávio Bolsonaro e desafio sobre quebra de sigilo
O discurso também foi marcado por ataques ao adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL). Lula chamou o rival de “miliciano” e afirmou que uma eventual vitória do candidato do PL representaria a entrada do crime organizado no Palácio do Planalto.
“O cara pode ter o direito de não votar no Lula, mas ele não pode votar num miliciano para ser presidente desse país. Não é possível que queiram colocar o crime organizado dentro do Palácio do Planalto. Não é possível um cidadão, que a única coisa que aprendeu na vida, certamente, não foi nem mandar. Só sabe escutar mentira”, disparou.
Lula também utilizou referências ao truco, jogo de cartas popular em Minas Gerais, para provocar o adversário. O presidente afirmou ter desafiado Flávio a abrir seu sigilo e prometeu elevar o tom do embate nesta quinta-feira.
“Mineiro é especialista em saber jogar truco. Essa semana pedi para o Flávio abrir o sigilo. Hoje, ele inventou um monte de mentira e ‘trucou’ seis. Eu vou meter um nove na cara dele amanhã. Vou meter um nove. Ele não tem nenhuma carta boa, só tem mentira. Estou com o zap, sete de copas, espada e ouro e ainda tenho três de reserva. Ele vai saber o que é um campeão de truco que aprendeu a jogar com o povo mineiro”, afirmou.
Além das provocações eleitorais, Lula aproveitou a passagem pela capital mineira para destacar medidas de seu governo. O presidente mencionou a aprovação do fim da escala de trabalho 6x1, prometeu transporte público gratuito nos fins de semana e feriados e anunciou uma anistia de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs).
Lula encerrou seu discurso dizendo que, nesta quinta, vai se preparar para o debate da Globo, na sexta-feira (22).
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



