PBH estima que ao menos 3,6 mil pessoas vivam em áreas de risco geológico alto ou muito alto
Em audiência pública na Câmara Municipal da capital, a prefeitura apresentou um mapeamento das áreas de risco na cidade

A Prefeitura de Belo Horizonte estima que pelo menos 3,6 mil pessoas moram em situação de risco geológico alto ou muito alto. Dados que são os mesmos apresentados desde o ano passado pelo executivo, que afirmou que não até o momento não realizou novos monitoramentos por questões operacionais. Os dados foram apresentados pela Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel) nesta quinta-feira (6), durante audiência pública da Comissão Especial de Estudo sobre Águas Pluviais e Prevenção de Riscos, da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Segundo o engenheiro da Urbel, Marcelo de Camargos Pereira, o mapeamento da prefeitura leva em consideração as zonas de risco, e não foca em números específicos de pessoas.
"O instrumento de gestão nosso, aqui da diretoria de manutenção e área de risco, é feito através do mapeamento dessas áreas, feitos de maneira periódica, a gente tem a cidade toda mapeada em setores de risco geológico, e dentro de cada setor nós temos um número de famílias estimadas em cada setor. Efetivamente, a selagem e o cadastro das famílias de cada setor, nós não temos. Essas pessoas só vêm para o nosso banco de dados quando elas são beneficiadas em algum programa.
Vereadores questionam falta de dados específicos
Durante a reunião, que tratava de obras de mitigação de riscos causados pelas chuvas, o vereador Uner Augusto (PL), questionou sobre a falta de dados específicos de famílias que estejam cadastradas como em situação de risco, ou passíveis de eventualmente precisarem do aluguel social da prefeitura. Questionado pela Itatiaia sobre os dados divulgados entre o final do ano passado e janeiro de 2026, quando 1,2 mil residências estariam em área de risco, Marcelo Pereira explicou que o número não é atualizado de forma rotineira, e que o dado pode representar quase 4 mil famílias em áreas de risco, apesar de não ser atualizado desde a última atualização
"Esse dado diagnóstico ele de fato é o somatório de todas as famílias que estão dentro das manchas de risco alto e muito alto. Então, em cada mancha, em cada setor de risco geológico, a gente tem um número de famílias que estão naquele setor. Podemos fazer uma extrapolação: se a gente tem 1,2 mil famílias dentro destas manchas, de considerarmos uma média de três (moradores), nós teríamos aí 3.600 pessoas dispostas. Mas o número é o número de famílias e residências".
Segundo Marcelo, os números são revisados apenas após a passagem do período chuvoso. Diversas intervenções de mitigação de riscos foram feitas entre ano passado e este ano em vilas e favelas, e portanto, o número não está consolidado, passando por nova atualização somente após o período de chuvas.
"A consolidação destes dados é que a gente não consegue fazer ela de maneira imediata, a gente procura fazer isso durante um período do ano onde a gente consolida todas as ações e faz esta atualização deste número. Então, provavelmente a gente vai esperar a consolidação destes dados depois do período chuvoso, para termos um dado consolidado. O número até que é tranquilo, mas não conseguimos fazer isso de forma mapeada de maneira cotidiana por questões operacionais, mas o número a gente consegue".
Dentre os encaminhamentos da Comissão Especial de Estudo, os vereadores solicitaram que a prefeitura mantenha a atualização constante dos números que representem famílias ou pessoas vivendo em situação de risco geológico em Belo Horizonte.
Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



