Paulo Gonet ganha sobrevida após votação apertada, mas desconfiança persiste na PGR
Processo administrativo contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi arquivado por 5 votos a 4 no Conselho Superior do Ministério Público Federal

O arquivamento do processo administrativo contra Paulo Gonet, procurador-geral da República, que encerrou a possibilidade de investigação pelas mensagens que o mencionam no "caso Master", foi visto internamente nesta sexta-feira (25) como uma "sobrevida" ao procurador-geral. A informação foi publicada pelo blog Teo Cury, da CNN Brasil.
A avaliação, tanto de aliados quanto de críticos, é de que Gonet é um "sobrevivente". Fontes internas acreditam que o procurador-geral não sai fortalecido do episódio, mas "segue vivo" para concluir a gestão.
Uma ala de subprocuradores ouvida pela CNN afirma, no entanto, que a vitória apertada de 5 votos favoráveis e 4 contrários ao arquivamento do caso no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) não tem a capacidade de dissipar a desconfiança sobre a relação de Gonet com Daniel Vorcaro.
O clima na Procuradoria-Geral da República (PGR) é de desgaste, na avaliação de críticos da gestão, desde que as mensagens que citam o procurador-geral foram tornadas públicas. A percepção de que havia certa resistência entre colegas na primeira instância e de que agora o incômodo atinge também parte dos subprocuradores, o nível mais alto da carreira, é significativa.
O cenário piorou após a revelação da fotografia em que Gonet aparece ao lado de Vorcaro e do advogado Ciro Soares, que fez a interlocução entre os dois, bebendo uísque e fumando charuto em Londres.
Parte dos integrantes da PGR diz que o chefe do Ministério Público Federal (MPF) perdeu a confiança institucional.
Os colegas de dentro e de fora do conselho que defendiam apuração dos fatos dizem que a desconfiança deve persistir e que será necessário analisar se Gonet vai assimilar as críticas feitas durante a sessão.
Acreditam ainda que o procurador-geral buscará se preservar ao máximo nos desdobramentos, sem abrir mão do caso, mas dividindo cada vez mais as atribuições com os outros três colegas que atuam no "caso Master".
Aliados de Gonet minimizam a desconfiança dos colegas e descartam impacto na gestão do procurador-geral, que permanece no cargo até o final do próximo ano. Mas admitem que pode haver constrangimento durante as próximas sessões do CSMPF.
A ala próxima ao procurador-geral não esconde, no entanto, a surpresa com o placar da votação e com o posicionamento dos colegas que defenderam que houvesse investigação contra Gonet. Avaliam, contudo, que a decisão encerra o assunto.
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