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Operação aponta uso de empresa ligada ao Banco Master para movimentar dinheiro do crime organizado

A empresa Entre, administradora de recursos, era parte de uma estrutura ussada para ocultar patrimônio, lavar recursos e financiar operações já investigadas no STF e na PF

PorBrasília
Dario Durigan
Dario Durigan • Agência Brasil

O Ministério da Fazenda identificou, em um novo desdobramento da Operação Carbono Oculto, indícios de que a Entre Investimentos recebia recursos tanto de estruturas ligadas ao crime organizado quanto do Banco Master. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o dinheiro teria sido concentrado em uma mesma estrutura financeira e utilizado para ocultar patrimônio, lavar recursos e financiar outras operações investigadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Polícia Federal (PF).

A nova etapa, batizada de Operação Crédito Oculto e deflagrada nesta quinta-feira (24), investiga o uso de fundos de investimento, empresas e outras estruturas do sistema financeiro para esconder a origem e os verdadeiros beneficiários de recursos. De acordo com a Receita Federal, uma das empresas financeiras envolvidas movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.

Durante entrevista coletiva, Durigan relacionou a descoberta a outras investigações, inclusive que envolvem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. Segundo o ministro, as apurações indicam que recursos provenientes de diferentes origens acabavam reunidos em uma mesma estrutura financeira.

“Quando a gente vê os casos que estão em discussão no país, de onde vinha tanto dinheiro? De onde vinha tanta liquidez? O dinheiro vem do crime organizado, vem do setor de combustível que estava na clandestinidade, que permite que a gente tenha essa quantidade de liquidez usada para a corrupção, para corromper a autoridade, que é usada para uma série de finalidades bastante obtusas”, afirmou Durigan.

Documentos analisados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Receita Federal apontam indícios de que o grupo investigado utilizava estruturas financeiras complexas para esconder os verdadeiros donos de uma usina sucroalcooleira e, posteriormente, viabilizar a aquisição de uma distribuidora de combustíveis.

Segundo os investigadores, fundos de investimento, empresas e outros instrumentos eram usados para criar diferentes camadas entre os recursos e seus reais beneficiários.

“A empresa Entre recebe dinheiro do crime organizado, ajuda nessa estruturação, nessa ocultação de patrimônio de forma que não só uma usina de etanol, mas também uma distribuidora de combustível passasse a atuar no mercado, numa concorrência bastante desleal com o setor legalizado”, explicou o ministro.

A Receita identificou uma estrutura adicional àquelas descobertas nas etapas anteriores da Carbono Oculto. A suspeita é de que mecanismos financeiros tenham sido usados inicialmente para ocultar o controle de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo (SP).

Depois, outra estrutura teria sido empregada para viabilizar a aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis sem revelar os verdadeiros financiadores e beneficiários do negócio.

Durigan classificou o mecanismo investigado como uma espécie de “lavanderia” dentro do sistema financeiro que permitia lavar recursos, ocultar patrimônio e enviar dinheiro ao exterior.

“Tem uma usina de etanol, uma usina sucroalcooleira, que toma operações, manda dinheiro para fundo de investimento, esses fundos cascateiam títulos e recursos para outros fundos e usam o sistema financeiro, que é quem, de fato, deveria nos informar desse tipo de operação”, afirmou.

A Operação Crédito Oculto é conduzida pela Receita Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, com participação de órgãos estaduais. Além de apurar o caminho do dinheiro nessas estruturas, as investigações também buscam entender a relação da Entre com operações do Banco Master.

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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