No Senado, Lula rebate críticas ao fim da escala de trabalho 6x1: 'A palavra correta é mentira'
Durante cerimônia de promulgação da emenda constitucional, presidente classificou como “conquista histórica” o fim da escala 6x1, defendeu o direito ao descanso e afirmou que eventuais dificuldades econômicas devem ser discutidas sem penalizar os trabalhadores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou o fim da escala 6x1 como uma “conquista histórica” para os trabalhadores brasileiros nesta sexta-feira (16), durante a cerimônia de promulgação da emenda constitucional no Congresso Nacional. Em discurso no plenário do Senado, Lula rebateu críticas sobre os possíveis impactos econômicos da redução da jornada e afirmou que garantir o descanso dos trabalhadores é uma obrigação do país.
“Se a gente não garantir o direito do ser humano descansar, do ser humano ter o direito de visitar a família, de visitar os parentes, de levar a criança numa praça, em algum lugar para descansar, que tipo de seres humanos que nós somos?”, questionou.
O presidente também chamou de “mentira” o argumento de que a mudança pode provocar uma crise econômica. Segundo Lula, os avanços tecnológicos e a digitalização ampliaram as possibilidades de lucro das empresas, e os custos da adaptação não devem ser colocados sobre os trabalhadores.
Tentar jogar nas costas do povo trabalhador que está reivindicando um dia de descanso a responsabilidade por uma crise é mentira. A palavra correta é mentira
Lula afirmou ainda que a nova regra permite discutir eventuais dificuldades específicas de cada setor. “Ninguém quer que a empresa quebre. Ninguém aqui deseja que uma empresa quebre. Mas também ninguém quer que um trabalhador morra por falta de descanso”, disse.
Lula agradece ao Congresso
O presidente também agradeceu aos parlamentares pela aprovação da medida e afirmou que a promulgação demonstra a importância da democracia e da negociação entre os Poderes. Lula citou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao defender a convivência entre posições divergentes.
“Quando a gente ganha as eleições, a gente tem que governar. E, quando a gente vai governar, a gente governa com as instituições existentes”, afirmou.
Lula também atribuiu a aprovação à mobilização popular em defesa do fim da escala 6x1. Ao encerrar o discurso, agradeceu aos trabalhadores que foram às ruas reivindicar a mudança e disse que a nova regra deve beneficiar especialmente as mulheres, ao ampliar o tempo disponível para a família e o descanso.
Bastidores da cerimônia
Lula chegou ao Congresso por volta das 9h30, acompanhado de ministros. A recepção foi tranquila, em uma cerimônia marcada pela ausência de parlamentares da oposição, apesar do apoio de integrantes à proposta durante a votação no Senado.
O único senador de oposição presente foi Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), governador eleito de Minas Gerais e apoiador do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Ele elogiou a aprovação da medida e rejeitou a interpretação de que o avanço da proposta neste momento tenha caráter eleitoral.
“Para ajudar o povo não tem hora”, afirmou Cleitinho, que também disse que a mudança deveria ter sido aprovada antes.
A redução da jornada de trabalho se tornou uma das principais pautas da disputa presidencial de 2026.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.




