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MP do Minha Casa Minha Vida deve ser votada até dia 14. Saiba o que pode mudar

A coluna apurou que valor de entrada no financiamento e número de casas por municípios estão entre as principais polêmicas

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Plenário da Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados • Câmara dos Deputados

A Medida Provisória que recria o Minha Casa Minha Vida vence no dia 14 e a expectativa de parlamentares que participam do debate é que a discussão seja realizada na próxima semana. Ao invés de ser substituída por um projeto de lei, pelo acordo entre executivo e parlamento, ela deve ser mantida como MP e, depois de aprovada, o governo deve publicar um decreto regulamentando as regras e estabelecendo os detalhes. Na gestão de Jair Bolsonaro (PL), o programa, nos moldes criados pelo governo Lula, foi extinto e substituído pelo Casa verde Amarela.

“A Medida Provisória que trata do Minha Casa Minha Vida deve ser debatida na próxima semana. Em acordo com o Governo, após essa MP ser votada, se aprovada, o Governo deve publicar uma portaria orientando as regras do programa. Regras como o limite de novas casas por município de acordo com a população, bem como os valores a serem pagos por cada casa. Temos trabalhado para garantir a construção de casas pelo Minha Casa Minha Vida, mas queremos unidades de boa qualidade. Queremos conjuntos habitacionais que tenham bom acesso e boa estrutura para as famílias”, afirmou o deputado federal Zé Vitor (PL-MG).

Limite de casas

O texto enviado pelo executivo, segundo apurou a coluna, pode sofrer mudanças na Câmara dos Deputados. Um dos pontos que pode ser alterado é o limite de casas por municípios pequenos. De acordo com os parlamentares, em cidades menores, a previsão é de construção de 50 moradias. No entanto, construtoras já manifestaram que não têm interesse em construir uma quantidade tão pequena de casas, que justificaria montar um canteiro de obras se o número mínimo fosse de 100 a 150 unidades. O valor pago por casa, embora não tenha sido oficializado, também preocupa as empresas que, segundo fontes da coluna, não estão motivadas a construir casas da faixa 1, as mais populares.

Valor da entrada

O valor de entrada para financiamento também provoca questionamentos. O percentual de 20% é considerado alto para famílias de baixa renda. O próprio deputado Zé Vitor é um crítico desse ponto. “Inclusive apresentei um projeto disso solicitando que a entrada das casas, faixa 2 em diante, para quem ganha mais de dois salários mínimos, o valor da entrada precisa cair. O mercado imobiliário tá sentindo muito, porque o valor da entrada da casa tá muito alto. Então, o valor da casa tem que tem que ser de 5 a no máximo 10%. Hoje está 20% de uma casa de R$ 200 mil é R$40 mil. As famílias não estão tendo esse dinheiro para entrada, por exemplo. Então a gente precisa rever esse valor da entrada, do contrário, o programa habitacional do Brasil vai fraquejar”, segundo o parlamentar.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.