Belo Horizonte
Itatiaia

Moraes: general Heleno confessou querer ‘virar a mesa’ em reunião com Bolsonaro

Durante a leitura de seu voto no julgamento do Núcleo 1 da suposta trama golpista, ministro e relator do caso também respondeu a advogado de ex-ministro

Por e 
General Augusto Heleno deve ser ouvido nesta terça-feira (25) pela CPMI dos Atos Antidemocráticos
General Augusto Heleno • Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, afirmou nesta terça-feira (09) que o general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete Institucional do governo de Jair Bolsonaro, fez declarações que configuram em uma confissão de que o grupo do ex-presidente queria ‘virar a mesa’ após as eleições de 2022.

“Tudo isso constou onde? Na minuta do golpe. Prisões, fechamento do STE, criação de uma comissão eleitoral, gabinete pós-golpe. Veja, tudo isso dito claramente na reunião ministerial”, finalizou o ministro.

Resposta a advogado

Ainda durante a leitura de seu voto, Alexandre de Moraes respondeu ao advogado de Augusto Heleno, Matheus Milanez, que, na semana passada, durante a apresentação de sua defesa, questionou se o relator era “julgador ou inquisidor”.

“O juiz, ele não só pode, como deve, fazer perguntas, principalmente nos interrogatórios. Os interrogatórios são exatamente o momento em que a defesa pode expor a sua autodefesa a partir dos réus e, consequentemente, o juiz deve tirar, desde que não se pleiteie o direito ao silêncio, as informações, inclusive, a favor dos réus", afirmou.

"A ideia de que o juiz deve ser uma samambaia jurídica durante o processo não tem nenhuma ligação com o sistema acusatório. É isso é é uma uma alegação esdrúxula", seguiu.

Na semana passada, Milanez abriu sua manifestação reclamando da inclusão de novos arquivos e informações no processo dias antes do julgamento. Em seguida, questionou a atuação de Moares no processo.

“Um fato curioso, uma das testemunhas arroladas foi indagado pelo ministro relator a respeito de uma publicação dele nas redes sociais, que não consta nos autos. Ou seja, temos uma postura ativa do juiz relator de investigar testemunhas. Porque o MP não fez isso? Qual é o papel do juiz julgador ou é o juiz inquisidor? O juiz deveria ser imparcial e afastado da causa”, afirmou Milanez.

“Não cabe a nenhum advogado censurar o magistrado dizendo o número de perguntas que ele deve fazer. Há argumento jurídicos muito mais importantes do que ficar contando o número de perguntas que o juiz fez”, finalizou Moraes.

Por

Graduado em jornalismo e pós graduado em Ciência Política. Foi produtor e chefe de redação na Alvorada FM, além de repórter, âncora e apresentador na Bandnews FM. Finalista dos prêmios de jornalismo CDL e Sebrae.

Por

Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.

Por

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

Por

Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.